terça-feira, 11 de maio de 2010

PASTORAL DIA DAS MÃES

E SE NÃO HOUVER AMANHÃ?
Uma reflexão para os filhos no dia das mães.

Pr. Sidnei

Acho que a maioria sabe que estive toda a semana em Tupã, interior de São Paulo. Sabe também que não foi uma viagem de passeio. Longe disso, foi a viagem mais triste da minha vida.
Fui chamado para estar com meu pai, antes que ele morresse. Essa tinha sido a informação que o médico passara ao meu cunhado e confirmou na minha chegada. Deus pode reverter todo prognóstico médico, eu creio nisso, mas naquele momento, o médico disse que seria uma questão de tempo. O quadro era muito grave.

Não quero falar sobre a doença do meu pai porque, a partir do momento que os recursos do médico se findaram, apenas começou o poder de Deus e Ele não precisa da opinião do médico para agir. Ele pode cura-lo e até ressuscitá-lo se quiser.O que eu quero compartilhar é a minha experiência olhando para o meu pai imóvel, que olhava fixo para mim como que querendo dizer algo, sem conseguir. Repeti várias vezes que o amava, que ele foi e sempre será meu herói, que é meu modelo de integridade e caráter e que só permaneci na igreja por causa do seu exemplo e perseverança e que eu teria sido muito mais feliz e errado muito menos se ele estivesse por perto nos últimos 24 anos em que eu o visitei muito pouco devido a distância.

Eu falei para muita gente e muitas vezes, inclusive na igreja, o quanto eu amava e admirava meu pai. Que ele era o homem mais sábio e humilde que eu já conheci. Citei meu pai em muitas palestras, inclusive fora do Brasil, sobre sua forma particular de viver os ensinos de Cristo. Usei meu pai várias vezes como ilustração em alguns dos meus sermões. Mas o que me intrigava diante do meu pai naquele momento é que não me lembro de ter dito isso a ele. Os irmãos da nossa igreja sabem o que eu penso do meu pai, mas eu não tenho certeza se ele sabe. É nisso que eu penso agora. Eu tentei dizer esta semana, mas não sei se ele me entendeu.

As pessoas do meu circulo íntimo, tentam me consolar dizendo que eu tenho ao meu favor o fato de nunca ter levantado a voz para meu pai, nunca ter questionado uma ordem ou ponto de vista, nunca ter afrontado meu pai e nunca ter feito meu pai chorar por tê-lo desrespeitado. Eles se esquecem do “rosbife e coca cola”. Isso entristeceu meu pai e, embora ele tenha esquecido, eu não consegui esquecer.

Pode ser uma história banal que poderia ser considerado apenas uma palavra impensada de um pré-adolescente, mas não para os pais, principalmente aqueles que têm poucos recursos e não podem atender os desejos básicos dos filhos. Uma vez eu queria rosbife e meu pai, por alguma razão, não pode comprar. Eu disse que quando eu casasse e mandasse na minha casa eu comeria rosbife e coca cola todos os dias. Meu pai ficou em silêncio. Passados muitos anos, no dia do meu casamento civil, assim que voltei do cartório, ele deu um leve sorriso e disse: “agora você pode comer rosbife e coca cola o quanto quiser”. Percebi que tinha machucado meu pai com a minha infantilidade, porque não tem nada pior do que não poder satisfazer desejos simples dos filhos.

Porque eu estou fazendo essa retrospectiva justamente no dia das mães? Não é por que? É para quem? É para os jovens e adolescentes que não medem as palavras e ofendem as mães. São ingratos e, por mais que as mães façam, parece que elas estão sempre devendo. As mães ficam noites em vigília quando os filhos estão com problemas e assim que saem da crise, desprezam a companhia, o carinho, o conselho da mãe. Qualquer namorado por mais “babaca” que seja, tem reputação melhor e conselhos mais úteis do que o da mãe.

É para esses jovens que eu estou escrevendo. Que tem perdido tempo de desfrutar do colo e da sabedoria da mãe. Que tem chorado no quarto, vociferando que não se metam na sua vida, desperdiçando o afago nos cabelos e o choro compartilhado, ou mesmo o silêncio de cumplicidade. É para aqueles jovens que acham que é “mico” dizer todos os dias que amam as mães e que dependem dela.

É o meu grito de alerta no Dia das Mães. Pode não haver amanhã para dizer tudo que você tem para dizer e que sua mãe quer ouvir. Sua mãe não vai te amar menos se você não fizer nada do que eu estou falando, mas você vai se odiar quando quiser dizer e não houver mais tempo.

Não por causa do dia de hoje, mas por causa do resto de sua vida, ame sua mãe, diga que a ama, honre-a, respeite-a, desfrute da benção de ter mãe.

É bíblico, útil, proveitoso e sobretudo, inteligente.

3 comentários:

Thiago S. F. Azevedo disse...

Sou o filho mais velho e o primeiro filho a ter filhos, daqueles que são filhos do filho do vô bonito.

Para mim, não existe pai bom ou pai ruim. Existe pai e existe outra coisa que não pai. Pai que é somente amigo, ou somente protetor, ou somente sangue, ou somente provedor, ou somente dono não é pai, é outra coisa. Pai, assim como mãe, é muito mais, e tudo isso, e outras coisas.

Para mim basta saber que meu pai é pai e não outra coisa. Por que eu também sou pai e não outra coisa. Você sabe que é pai e não outra coisa quando percebe o amor desinteressado com seu filho quando ele ainda está na barriga da sua mulher. E pronto, você já sabe.

O novo agora é que meu pai já percebe que é filho. Eu ainda estou sendo aperfeiçoado, mas ele já entendeu tudo.

Para meu pai e minha mãe, um beijo.

Saibam os do meu círculo íntimo que eu admiro e amo muito meu pais. Por que sei que eles me amam como eu amo minha mulher e minhas filhas.

Ainda falta bastante para eu ser filho, mas já tenho um bom exemplo de filho em meu pai.

Pastor Sidnei Azevedo disse...

Para filho entendedor, meio pingo é letra.
Você é um pai bom. Primeiro pai, depois bom. Assim pode?
Obrigado pelo carinho, mas pega leve com seu pai que os anos pesam e os velhos choram.

silvio disse...

E eu... Sou a sobrinha mais velha, filha da irmã mais velha do único filho do vô bonito...
Tio,também disse várias vezes que o amo, que ele é o amor da minha vida e que é o melhor vô do mundo...Sei que ele ouviu tudo e esteja certo de que ele também entendeu tudinho o que você disse.