quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

QUAL O VALOR DE UM LÁPIS?

Um tributo a Antônio Manoel dos Santos

Lápis foi um dos produtos, juntamente com pente masculino, caixa de fósforos, dedal de costura, prendedor de roupas e outros, que ninguém, de uma série de entrevistados por um programa de televisão, tinha noção do preço. As repostas variaram em mais de 3.000% para o mesmo produto. Eu também não sei quanto custa um lápis, mas sei qual o seu valor quando bem utilizado.

Quando eu digo bem utilizado, não me restrinjo ao uso da grafite que nele há e que permite aos poetas produzirem textos que encantam, ou aos engenheiros fazerem projetos que revolucionam ou mesmos aos artistas a fazerem dos traços sua forma de emocionar.

Não, amigos, não é disso que falo. Me refiro magia que havia no lápis que o irmão Antônio trazia no bolso interno do seu paletó sempre alinhado e a forma como ele o retirava para entregar ao grande vencedor do dia. Não era apenas um lápis, era um troféu. A emoção da entrega e a ênfase com que ele anunciava o ganhador tornavam o momento ímpar. Era, para um menino de dez ou doze anos, a mesma emoção que sente um jogador de futebol ao ouvir seu nome anunciado para ganhar a bola de ouro.

Para entender o valor desse lápis com poderes mágicos é preciso voltar quarenta anos no tempo. Uma classe de intermediários, que depois passou a classe de adolescentes e hoje são os “teens”. A reunião se repetia no mesmo modelo domingo após domingo. Um adolescente dirigia os trabalhos, alguém apresentava uma música, os grupos falavam seus pontos e ao final, as perguntas da bíblia feitas pelo irmão Antônio, nosso líder, que falava como se fora um grande general e nos envolvia neste clima fazendo-nos sentir, também, soldados valorosos.

Era um homem calmo, de gestos leves, sorriso discreto, voz mansa e que nunca perdeu a linha com nenhum daqueles que liderava. Era admirável sua habilidade de tirar do bolso um lápis para dar ao vencedor do dia como quem entrega um grande troféu de ouro maciço. Todos queriam ganhar o lápis. Alguns, menos humildes, entravam no templo para o culto exibindo seu troféu do sábio do dia. Eu era um deles. Eu me sentia o maioral quando ganhava. Haviam muitos que eram melhores do que eu.

Hoje ainda não sei quanto custa um lápis, mas eu sei o valor daquele lápis em particular. Aquele lápis fez de todos, vencedores, porque aprendemos a amar o estudo da Palavra de Deus. Aquele lápis, talvez, tenha salvado carreiras profissionais, porque ensinou que é preciso esforço para ser recompensado. Aquele lápis deve ter salvado relacionamentos porque muitas vezes ensinou renúncia. Quando havia empate alguém tinha que ceder.

Aquela geração foi privilegiada. Aquele lápis imprimiu marcas tão profundas no caráter daqueles pré-adolescentes que, hoje, quando nos encontramos pastores, advogados, líderes de igrejas, de grandes corporações, empresários bem sucedidos, agricultores, etc, ainda comentamos do lápis do irmão Antônio.

Há pouco tempo o Senhor o recolheu. Morreu como viveu: sorrindo, falando das coisas de Deus, influenciando positivamente alguém. Sua morte interrompeu a organização da terceira igreja que ele começara do nada. Para ser justo, na verdade não era nada: Uma bíblia na mão, um caderno com hinos do Oséias de Paula que ele insistia em fazer solos, sua companheira fiel ao lado e, certamente, um lápis no bolso. Um infarto fulminante interrompeu uma alegre conversa com um irmão em Cristo e, pela primeira vez, deixou alguém falando sozinho.

Faltarão lápis para escrever o quanto esse homem contribuiu na formação de toda uma geração de meninos e meninas que, há quarenta anos, apenas queriam ganhar o lápis do irmão Antônio sem saber o que isso representaria para suas vidas.

domingo, 2 de janeiro de 2011

MISERICÓRDIA OU COMPAIXÃO?

MISERICÓRDIA OU COMPAIXÃO?
“Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai” (Lc 6.36)

Eu vejo Jesus mais preocupado em exortar seus discípulos à misericórdia do que à compaixão. Certamente não é porque uma virtude é mais importante do que a outra, e sim porque o ter compaixão se encaixa mais facilmente ao perfil do ser humano do que ter misericórdia.
Qual a diferença entre compaixão e misericórdia? Imaginamos misericordioso, aquele sujeito que não pode ver um mendigo na rua que já oferece sua roupa, sua comida, leva ao hospital, etc. É o bom samaritano do século 21. Não é bem assim. Isto não é misericórdia é compaixão.
Por definição, compaixão é a forma como você lida com a necessidade ou a dor do indivíduo. Misericórdia, a forma com que você lida com o erro ou a culpa do indivíduo.
Há muito mais pessoas (embora não em número suficiente) dispostas a exercer compaixão do que misericórdia. Por várias razões.
A compaixão tem a ver com o bem estar pessoal. Fazer o bem torna um ser humano grande e melhor que os outros. Se posso ajudar é porque estou, pelo menos, um pouco melhor do que aquele que estou ajudando. Esse pensamento está em plena harmonia com o pensamento humano, incluindo os não cristãos. Aparenta grandeza de caráter.
Misericórdia é diferente. Exige mais de nós, causa dor, gera perdas, e para os que não conhecem misericórdia, aparenta fraqueza e muitos a tem por conivência com o erro.
As pessoas que só têm compaixão socorrem os necessitados, mas se esses se mostrarem ingratos ou fizerem algum mal a eles, descarrega toda a sua ira e arrependimento por ter ajudado e promete nunca mais ajudar aquele ingrato.
Misericórdia é perdoar quantas vezes forem necessárias com o mesmo sorriso e a mesma confiança.
Misericórdia não lança em rosto o pecado passado. Misericórdia olha para a necessidade daquele que não merece nenhuma ajuda e só vê a necessidade e não o merecimento.
Misericórdia é olhar para um bêbado agressivo, um drogado perigoso, um aproveitador e pensar... Ele precisa de Jesus mais do que qualquer outro.
Misericórdia é investir na vida de uma pessoa desprezível e desprezada pela sociedade e sofrer todos os danos até que ela venha ter sua vida transformada por Jesus.
Misericórdia é receber publicanos e pecadores por achar que eles precisam mais de médicos espirituais do que os “santinhos”.
Misericórdia, em suma, é sentir o que Deus sentiu por nós e, por causa disso nos amou e nos salvou. Às vezes esquecemos nossa história e vivemos um personagem – filho do altíssimo – que não puxou em nada ao Pai.
Jesus em Luca 6:32-36 nos mostra o que é misericórdia:
32. “Se amais os que vos amam, qual é a vossa recompensa? Porque até os pecadores amam aos que os amam. 33. Se fizerdes o bem aos que vos fazem o bem, qual é a vossa recompensa? Até os pecadores fazem isso. 34. E, se emprestais àqueles de quem esperais receber, qual é a vossa recompensa? Também os pecadores emprestam aos pecadores, para receberem outro tanto. 35. Amai, porém, os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem esperar nenhuma paga; será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo. Pois ele é benigno até para com os ingratos e maus. 36. Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai.”Ainda bem que Jesus não é como nós. Ele é misericordioso. Se não fosse a misericórdia de Cristo não haveria igreja, porque a igreja é formada pelos mais miseráveis pecadores que foram, não só aceitos, mas buscados por Ele.
As pessoas que não querem a presença de miseráveis pecadores na igreja, são as mesmas que cantam: “Buscou-me com ternura, Jesus o Salvador. Achou-me na miséria salvou-me com amor”
Não se iluda! Compaixão não é misericórdia.
“Bem aventurado os misericordiosos porque eles alcançarão misericórdia”. (palavras de Jesus)
Fique na Paz

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O SILÊNCIO (não só) DE ADÃO - Pastoral 19/9

O SILÊNCIO (não só) DE ADÃO
Pr. Sidnei
No livro “O Silêncio de Adão”, de Larry Crabb e outros, os autores confrontam o gênero masculino na sua tendência de ficar em silêncio nas situações mais críticas e analisam sua omissão nos momentos em que mais se exige uma intervenção decisiva.

A análise parte de uma suposição, a meu ver com muita chance de ser fato, de que Adão por comer o fruto proibido, sem que Eva o chamasse para isso, estivesse perto dela. Ora, se estava por perto, certamente acompanhou o diálogo de sua esposa com a serpente. Se acompanhou o diálogo, percebeu que se tratava de uma cilada que ia num crescendo de argumentos perigosamente falseados que conduziu à queda do casal e conseqüente ruína da humanidade (as deduções e o exagero são por minha conta, o autor não tem culpa).

Mas, fato é que Adão não fez nada para impedir esse pecado, e conseqüente desgraça, por omitir-se, por calar-se quando deveria falar e por esperar quando deveria agir.
Embora nós homens honestos (e há) admitamos que essa seja uma característica masculina - o silêncio – numa esfera mais geral todos nós, seres humanos, num ou noutro momento, nos calamos mesmo quando vemos que, vagarosamente, determinado comportamento levará, lá na frente, à ruína.

Fazemos isso com um irmão da igreja, porque não queremos estragar o relacionamento por parecer intrometido. Fazemos isso com a esposa ou esposo para não criar um atrito supostamente desnecessário. Fazemos isso com nossos filhos para que não nos ache chatos e nos dê a impressão que nos ama mais. Na maioria das vezes, no entanto, é por pura omissão e desejo de aprovação.

Todos somos assim e eu sou mais assim que todos. Mas isto não tem dado certo. Você já pensou que muitas quedas poderiam ter sido evitadas se não nos omitíssemos enquanto havia tempo de intervirmos vigorosamente com a autoridade da Palavra de Deus. Adão nem precisaria se indispor. Poderia até, se sua covardia exigisse, jogar a conta para Deus. Afinal, era Deus quem tinha dito que não deveriam comer daquele fruto em hipótese nenhuma.

Assemelhamos-nos a Adão até no fato de que comer o fruto não era uma necessidade para Eva, mas sim um capricho de rebeldia. Eles tinham todos os outros frutos à disposição, não precisariam daquele. Quantas vezes nos calamos num processo longo, num diálogo perigoso dos nossos queridos com as artimanhas de Satanás. Nos omitimos, olhamos para outro lado, nos concentramos em outra preocupação legítima e deixamos o tempo correr para ver no que vai dar.

O mais triste é que, à semelhança de Adão, muitas vezes, não só permitimos que, por omissão, o perigo aumente à medida que o tempo passa como também, por fraqueza, nos envolvemos ou somos coniventes com o erro.

Observe seus irmãos, suas esposas, seus esposos, seus filhos e filhas. Pode ser que estejam num diálogo perigoso com satanás, mas ainda em tempo de interromper.

Omissão custa caro. Não vale a pena correr o risco.

Sem contrariar o grande Larry Crabb, o silêncio não tem sido só de Adão.

Fiquem na Paz

quarta-feira, 23 de junho de 2010

COISAS DO COTIDIANO

Rochas e Pedregulhos

Uma das muitas coisas que me chamaram a atenção no Monte Sinai foi a quantidade e o tamanho das rochas que formam aquela cadeia de montanhas. Eu tentei subir no local de onde, segundo o guia, Moisés poderia ter falado à multidão já no pé da montanha. No pequeno filme que fiz via-se um planalto onde o povo poderia ter ficado e as rochas de onde Moisés poderia ter falado. Percebi que as rochas são facilmente vistas e é preciso fazer um plano para subir nelas. Há que se escolher o melhor lado, o menos liso, o que tenha um degrau natural e, com algum cuidado pode-se, como eu, subir numa rocha para ter uma visão melhor sem muito perigo de cair.

Já o chão é mais difícil de andar devido aos pedregulhos. Eles são quase imperceptíveis porque ficam fora do foco dos olhos. Quando as pessoas andavam, olhavam para frente, para o lugar aonde queriam chegar. Percebi muita gente tropeçando, escorregando e alguns até caindo. Uns americanos mais avisados escalavam o Sinai com aquelas bengalas de esqui para não perder o equilíbrio.

Que grande lição tiramos. Pessoas não tropeçam em rochas, mas com freqüência escorregam ou tropeçam em pedregulhos. Rochas são vistas à distancia, pedregulhos mal são vistos. As pessoas respeitam a imponência das rochas, mas negligenciam a presença dos pedregulhos. As pessoas desviam das rochas, mas tentam andar sobre os pedregulhos. As rochas se destacam no relevo, os pedregulhos se confundem com chão. Por essas e outras, na prática, os pedregulhos trazem mais perigo do que as rochas. Pessoas podem cair de rochas, não por causa das rochas. Já os pedregulhos, quase invisíveis, são responsáveis por muitas quedas e tropeços.

Na vida espiritual isso também acontece. Preocupamos-nos com os “pecados rochas”. São facilmente visíveis, grandes, chamativos e, dificilmente alguém comete um pecado desse porte por não vê-lo. Nessa categoria está o adultério, roubo, assassinato e outras ações que saltam aos olhos como, indubitavelmente, pecados. Pessoas os vêem de longe e sempre em tempo de fugirem, embora isso nem sempre ocorra.

Diferentemente, aos “pecados pedregulhos” ninguém dá atenção. São imperceptíveis, da cor do chão. São atitudes aparentemente não perigosas, mas que colocam em risco nossa caminhada. Muitos caíram por não perceberem que estavam andando sobre pedregulhos. Nesta categoria estão as atitudes que se confundem com o estilo normal de uma vida agitada. Incluem-se as pequenas mentiras, admiração aos costumes mundanos, falta de leitura da bíblia, falta de um tempo específico de oração, falta de empenho para estar na igreja, críticas constantes aos irmãos, falta de humildade e outras coisas que as pessoas nem chamam de pecado, apenas um estilo de vida ou personalidade forte.

É com este, chamado estilo normal de vida, que devemos tomar mais cuidado. Ele vai minando nossa resistência espiritual. Vai mudando nossos conceitos, vai enfraquecendo a nossa fé, vai tornando vulnerável nosso juízo de valores e, quando menos esperamos, tropeçamos ou escorregamos. E por que? Porque não vigiamos nas pequenas coisas. Fixamos-nos nas rochas e esquecemos-nos dos pedregulhos.

Meu irmão e minha irmã, se você tem sido pouco vigilante nas chamadas, pequenas coisas, saiba que são elas que nos derrubam. O diabo é mestre em desviar nossa atenção do perigo que elas representam. Ele quer a nossa queda.

Observe seu caminho. Pare de andar- por um instante, olhe para o chão e à sua volta. Se houver pedregulhos, remova-os antes que eles o derrubem.

Fique na paz

quinta-feira, 17 de junho de 2010

COISAS DO COTIDIANO

Quanta honra!

Você já percebeu que algumas honrarias tão desejadas vêm acompanhadas de deveres.

Na França antiga havia os mosqueteiros. Os jovens passavam toda sua vida sonhando ser um mosqueteiro do rei. Alguns eram preparados desde a infância e passavam a vida buscando esse objetivo: ser a guarda pessoal do rei. Isso significava morrer pelo rei. Assim é o serviço secreto presidencial americano: o juramento de se colocar na frente do tiro para proteger o presidente.

A posição que nos foi conquistada é bem maior do que a guarda pessoal do rei da França ou do serviço secreto presidencial americano. Somos raça eleita, sacerdócio real, nação santa, propriedade exclusiva do Senhor. Certamente este privilégio e posição não se igualam a nada. Mas como todo elevado privilégio, vem acompanhado de expectativas que são inerentes ao cargo. Tanto o mosqueteiro quanto o agente americano sabe que espera-se dele que, se necessário, dê a sua vida para que o rei ou presidente viva. Ele aceita o privilégio se quiser.

Por que nós aceitamos somente o privilégio e não lemos a segunda parte do contrato. Há uma expectativa decorrente desta posição: a fim de proclamarmos as virtudes daquele que nos chamou das trevas para sua maravilhosa luz.

Parece que não temos nenhum constrangimento de desfrutar dos privilégios esquecendo-nos que esses foram dados com uma expectativa. Se aceitarmos um, temos que aceitar o outro.

Como você tem proclamado as virtudes de Deus ou ainda, você tem proclamado?
Não te soa como alguém que recebeu o dinheiro adiantado para fazer uma obra e não fez?

Sei lá... é bom refletirmos melhor sobre as coisas que condenamos para os homens, mas fazemos para Deus.

De qualquer forma, está aí um alerta. Não seria um dos pontos de santificação para vermos maravilhas?

Fiquem na paz

sexta-feira, 11 de junho de 2010

PASTORAL

ESTÁ FALTANDO COELHO NAS NOSSAS IGREJAS?
Pr. Sidnei
Você sabe como acabar com uma briga de cachorros?

Se você já viu uma de cachorros, sabe do que eu estou falando. É assustadora. Muito latido, grunhido, mordidas e sangue. Se jogar água, eles se afastam por alguns instantes e logo recomeçam. Se começar a dar pauladas bater aleatoriamente, corre-se o risco de acertar e machucar qualquer um dos cães, quase sempre o menos ágil ou o mais fraco, ou os todos. O que fazer, então?

O segredo é: Solte um coelho perto da briga. Você verá que todos os cães deixarão de brigar e correrão atrás do coelho. Não precisa ficar com pena do coelho, porque dificilmente conseguirão alcança-lo.

Há uma lição interessante nesta experiência. Um foco comum acaba com qualquer desavença entre os membros de um grupo. Parece que a falta de foco concentrado leva, os que já têm uma tendência a desagregação, a colocar em prática sua busca por pelos em ovo, ou chifres na cabeça de cavalo. Alguns, até, asseguram tê-los encontrado. Discutem entre si por nada, apenas porque não têm algo mais útil a fazer.

Quando todos olham para a mesma direção, têm os mesmos objetivos, buscam as mesmas metas, o trabalho ocupa o corpo e a mente, as energias são consumidas positivamente e as pessoas são agregadas. Consequencia direta? não sobra tempo para essas bobagens.
Neste aspecto, a igreja não é diferente das outras organizações. Encontramos muitos membros gastando tempo e enrgia em desavenças entre si. Alguém dirá: é por falta de objetivos comuns. Não deixa de ter razão quem assim argumenta. O fato é que os objetivos, na maioria das vezes, estão diante de nós. Se pensarmos na nossa igreja. Nossa Declaração de Visão e Missão descreve existimos para ganhar pessoas para Cristo, discípula-las, integrá-las para que cresçam espiritualmente até se que tornem crentes maduros e que ganhem outras pessoas. Se não existisse uma Declaração escrita, mesmo assim, as palavras de Jesus seriam nosso norte.

Quando se perde o foco, começa-se a olhar para todos os lados à procura de algo com que se preocupar. Isso retarda a obra, distancia do objetivo e propicia brigas. O problema é que, às vezes, trata-se de briga de cachorro grande e ninguém tem coragem de tentar separar. Para esses casos, então, o mais ou o único recurso indicado é o “fator coelho”. Se olharem para um objetivo comum, a energia não será desperdiçada com discussões internas.

Quero encorajá-lo a, se perceber que há perto de você alguém mais preocupado com picuinhas na igreja, procurando defeitos nas coisas ou nas pessoas, falando mal da vida de alguém, torcendo para que dê errado o que ele disse que daria, mesmo que isso prejudique a igreja, solte um coelho perto dele. O coelho da evangelização, ou do discipulado, ou da restauração dos fracos espiritualmente, ou da ajuda aos necessitados. Se ele for um cão de raça mesmo, largará tudo com o que estiver brigando e correrá atrás do coelho. Se, no entanto, for um cão vira-latas, aí, meu irmão só Deus!

O que movia a vida do apóstolo Paulo era seu foco permanente. Em meio à bajulações, ele não perdia o foco. Em meio a críticas, ele não perdia o foco. Quando era torturado, ele não perdia o foco. E aconselha os Filipenses a estarem unidos em torno de um mesmo foco.

Não estou querendo dizer que já consegui tudo o que quero ou que já fiquei perfeito, mas continuo a correr para conquistar o prêmio, pois para isso já fui conquistado por Cristo Jesus.
É claro, irmãos, que eu não penso que já consegui isso. Porém uma coisa eu faço: esqueço aquilo que fica para trás e avanço para o que está na minha frente.
Corro direto para a linha de chegada a fim de conseguir o prêmio da vitória. Esse prêmio é a nova vida para a qual Deus me chamou por meio de Cristo Jesus.
Todos nós que somos espiritualmente maduros devemos ter essa maneira de pensar. Porém, se alguns de vocês pensam de maneira diferente, Deus vai tornar as coisas claras para vocês.
Portanto, vamos em frente, na mesma direção que temos seguido até agora
. (Fp. 3.12 – 16)

Fique na Paz e focado!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

PASTORAL

VOCÊ É UM SONHADOR?

E dizia um o outro: Vem lá o tal sonhador! Gn 37.19

Este versículo faz parte da história de José, curiosamente chamado de José do Egito. José não era do Egito. Os sonhos de José é que se realizaram no Egito.

José era um menino sonhador. A diferença entre outros meninos sonhadores de 17 anos era a origem dos seus sonhos: Deus!

José era convicto, mas ingênuo, uma característica dos sonhadores. Não percebia que o fato de trazer más notícias de seus irmãos e ser preferido de seu pai o tornava detestável aos olhos dos seus irmãos. Contava seus sonhos aos seus irmãos que, no princípio zombavam, depois passaram a odiar e por fim conspirar e planejar seu desaparecimento.

José estava mais preocupado com os seus sonhos do que com o que as pessoas pensavam deles, aliás, outra característica do sonhador. Seus irmãos se livraram dele. Nunca mais seriam incomodados com os sonhos absurdos de um adolescente presunçoso.

José, impotente quanto ao seu destino, não teve como se proteger dos irmãos, dos mercadores e dos egípcios. Só lhe restou proteger seus sonhos. Os sonhadores são assim. Podem tirar-lhe tudo, mas não lhe tiram seus sonhos. Circunstancias não matam sonhos e José passou de filho mimado sonhador a escravo sonhador.

No Egito, Deus era com José e tudo prosperava em suas mãos. José, entretanto, não se iludia com o sucesso que não estava nos seus sonhos, marca dos verdadeiros sonhadores. Os sonhadores não perdem o foco dos seus sonhos, nem quando a realidade parece ser melhor que eles, os sonhos.

Quando a mulher de Potifar tentou seduzi-lo, foi capaz de resistir, pois isso o desviaria dos seus sonhos. Quem tem um sonho grande dado por Deus, vive por ele, e tudo mais parece pequeno.

Quando a desgraça bateu à porta e, acusado injustamente, foi lançado ao cárcere, seu sonho o acompanhou como sua própria sombra. Um sonhador não consegue livrar-se dos seus sonhos.
Essa é a diferença entre aquele que teve um sonho e o sonhador. O sonhador sofre quando vê que seus sonhos estão cada vez mais difíceis de realizar, mas não consegue abandoná-los. Sonhos de Deus, às vezes, fazem sofrer o sonhador que se vê impotente para realizá-los.

Mas, quando Deus dá os sonhos, Ele mesmo se encarrega de fazer com que se realizem. Alguém descobriu um sonhador no cárcere, que também interpretava sonhos. Primeiro o padeiro e o copeiro e depois o próprio Faraó.

O resto da história nós sabemos. O sonho do menino sonhador se realizou. Deus mexeu no clima, na produção da terra, nas nuvens, na chuva, mas os sonhos que Deus tinha dado ao menino sonhador, Ele fez realizar. E lá estavam seu pai e seus irmãos para contemplarem a concretização do sonho do menino sonhador.

Todos nós temos sonhos, mas nem todos somos sonhadores. Os sonhadores não conseguem abandonar seus sonhos. A diferença entre o desejo e o sonho é que o segundo nunca se vai por mais que as circunstâncias sejam contrárias. Os sonhos que Deus dá, diferentes dos desejos pessoais, às vezes, causam sofrimento, incompreensões e, não poucas vezes, irritação a alguns.

A igreja foi concebida para ser um lugar de restauração e não de hipocrisia. Não é um lugar de competição de aparência de santidade, mas de demonstração da eficácia dela. A igreja são pessoas que no seu dia-a-dia vivem o evangelho de Cristo e se reúnem para serviço, edificação mútua, e louvor a Deus.

A igreja não é uma tribuna de discursos de autojustificação ou de julgamento dos outros, mas é um altar onde vidas são oferecidas a Deus. Não é um lugar de promessas de feitos mirabolantes, mas de realizações simples e discretas.

É com uma igreja assim que eu sonho. Pessoas se acotovelando para trabalhar desde as pequenas e mais anônimas tarefas, com a alegria de quem espera o galardão dos céus não o reconhecimento humano, resultado de uma consagração genuína a Deus. Este sonho tem me feito sofrer um pouco, mas eu não consigo me livrar dele. Deve haver um Egito para onde, circunstâncias, as mais temidas, me levarão e o sonho se realizará.

O Egito, para o povo de Israel, pode ter se tornado símbolo de escravidão, mas para José, o sonhador, foi o lugar onde Deus tornou seus sonhos realidade.
Você tem sonho ou desejo?

Fique na paz

Pastor Sidnei