quarta-feira, 30 de setembro de 2009

COISAS DO COTIDIANO

NEM TODAS AS RAPOSAS SÃO ENGANADORAS

Quando pensamos em raposas, principalmente as das fábulas, logo nos vem à mente aquele animalzinho que sempre engana alguém com seus argumentos matreiros. Há, no entanto, uma raposa diferente de todas as outras. Uma raposa, cujo diálogo, longe de parecer astuto, passa a impressão de um ser ingênuo, carente, bem intencionado e com um profundo conhecimento do que seja uma amizade genuina. A raposa do livo "O Pequeno Principe".

Fazer uma exegese do diálogo da raposa com o princepezinho bem que poderia ser a ocupação de um sábado à tarde de qualquer igreja (não vamos dizer domingo à noite para não escandalizar). Os detalhes do diálogo são quase como tópicos de uma palestra sobre relacionamentos profundos. (não vamos dizer de um sermão para não escandalizar)

Quando comecei este texto, pensei em destacar as principais falas da raposa para serem usadas com gatilhos para discussão em grupo. Desisti quando percebi que tinha destacado quase todas as falas. Como corro o risco de ter exagerado na minha admiração pelo texto, deixo para o leitor a conclusão do que destacaria para suas reflexões sobre relacionamentos interpessoais genuinos.

(…)- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita…
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste…
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- Que quer dizer “cativar”?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer “cativar”?
- Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que fazem. Tu procuras galinhas?
- Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer “cativar”?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa “criar laços…”
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo…
- Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor… eu creio que ela me cativou…
- É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra…
- Oh! não foi na Terra, disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
- Num outro planeta?
- Sim.
- Há caçadores nesse planeta?
- Não.
- Que bom! E galinhas?
- Também não.
- Nada é perfeito, suspirou a raposa.
Mas a raposa voltou à sua idéia.
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.
O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo…
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor… cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto…
No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração… É preciso ritos.
- Que é um rito? perguntou o principezinho.
- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias!
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse…
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada!
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.(…)


Então, como seriam nossas igrejas e comunidades se houvessem mais raposas desse tipo.

Boa leitura de "O Pequeno Príncipe". Eu sei que você não vai resistir

quarta-feira, 3 de junho de 2009

COISAS DO COTIDIANO

Então.... que seja o Arnaldo Jabor

Ja reparou a velocidade com que os textos se multiplicam na Internet? De repente alguém descobre um pérola e já repassa para os amigos, que repassam para outros amigos e assim, em poucos minutos, milhões de pessoas têm nas mãos alguma informação.

Outro dia o Arnaldo Jabor, numa entrevista, disse que desistiu de escrever informando que determinados textos que circulam na Internet em seu nome, não são de sua autoria. Disse ainda que alguns desses textos eram até bons. A maioria, no entanto, era muito ruim.

Outros jornalistas e escritores devem passar pelo mesmo constrangimento. Lembrei-me do Arnaldo Jabor porque outro dia, numa repartição pública, enquanto demorava ser atendido, li e reli várias vezes uma crônica atrbuída a ele por nome "Paciência". Não tenho certeza se foi ele realmente quem ecreveu, mas como eu já encontrei este texto em várias lojas e repartições públicas e, em todas, aparecia seu nome como o autor, vou partir dessa premissa.

É claro que o objetivo da crônica estar em lugar tão visível, com autoria atribuída a um jornalista tão brilhante, é estimular o cliente ou usuário do serviço a considerar a paciência uma grande virtude e, enquanto espera o serviço - que às vezes demora muito - vai se edificando com as palavras do texto, aliás, muito bem escrito fazendo apologia a paciência, a virtude de poucos.

O que eu quero, na verdade, é considerar uma frase no final da crônica. O autor termina com a seguinte afirmação: "Não somos seres humanos passando por uma experiência espiritual, mas seres espirituais passando por uma experiência humana". Me ocorreu o fato de quantos milhões de pessoas leram e se encantaram, como eu, com esta afirmação e quantas outras não tomaram-na como "filosofia de vida".

O intrigante, para mim, não é a beleza plástica da frase, aliás, uma característica que me fez crer que seria realmente de Arnaldo Jabor, mas o fato de a bíblia trazer, em inúmeros textos, a mesma mensagem e as pessoas não se esforçam para divulgá-la. Nunca vi, por exemplo, em uma repartição pública, um cartaz dizendo: “Louco! Esta noite pedirão a tua alma e o que tens preparado para quem será?“ Esta é a frase que Jesus disse na estória do rico que pensou que a vida era só curtir o que ele tinha ganhado honestamente em Lucas 12:20. Ou no caixa de uma loja de grife para jovens, um adesivo com o conselho do sábio Salomão para que eles pensem na sua vida espiritual, pois o espírito não morre quando o coração para de bater. Ele diz: “Lembra-te do teu criador nos dias da tua mocidade..... antes que o corpo volte ao pó de onde veio e o espírito volte a Deus que o deu”. (Eclesiastes 12.1 e 7). E não se trata de reencarnação ou tornar-se um espítito flutuante, porque a bíblia diz que “ao ser humano está ordenado morrer um só vez, vindo depois disso o juízo”. (Hebreus 9:27).

Parece que quando um jornalista da Globo diz, prestamos atenção, enviamos para os amigos, afixamos em lugar visível até tomamos como nossa filosofia de vida. O que o Arnaldo Jabor disse não é mentira, aliás, é a verdade mais verdadeira da existência humana. Só que este pensamento alcança apenas parte das explicações. Quando Arnaldo Jabor diz esta grande verdade, que somos seres espirituais vivendo uma experiência humana, falta nos dizer o porquê, mas a bíblia responde.

Somos espirituais porque fomos feitos à semelhança de Deus que é Espírito.

Vivemos uma experiência humana porque Ele nos criou para sermos a coroa de toda criação. Inteligentes, com capacidade e liberdade de decidir o que queremos. Vivemos uma experiência humana para, nesse tempo de vida, fazermos escolhas que definirão nosso futuro espiritual.

Vivemos uma experiência humana porque, nessa liberdade de escolha que Deus deu ao homem, o homem escolheu afastar-se de Deus e tem encontrado, para a tristeza de Deus, mais prazer no pecado. Essa experiência humana é o tempo que o ser humano tem de voltar-se para Deus e, através de Cristo, sair do seu estado de condenação, para que a sua essência espiritual desfrute eternamente da presença de Deus.

Jesus Cristo passou por uma experiência humana para nos salvar da morte espiritual. "O Verbo se fez carne"(João 1:14) ou "Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu único filho para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna". (João 3:16)

Nossa experiência humana é o tempo que Deus nos dá para resolver nossa situação espiritual.
Também acho o Arnaldo Jabor um grande cronista: ele levanta grandes questões. Mas só a bíblia tem as respostas para as maiores dilemas do ser humano, ou como diria Jabor: dos “seres espirituais vivendo uma experiência humana”.

Deus tem procurado, de alguma forma, fazer essas verdades chegarem ao coração do homem. A sociedade materialista rejeita tudo que é espiritual. O pensamento imediatista do ser humano o impede de pensar na eternidade. As preocupações com o corpo o impede de pensar no espírito.
Se, contudo, o ser humano moderno não gosta de ler a bíblia, mas lê Arnaldo Jabor e, com isso, venha pensar na sua espiritualidade, assim seja.
O ser humano tem que parar e pensar na sua existência eterna. Tomar providências para que, na sua experiência humana, tenha oportunidade de considerar sua essência espiritual e volte-se para Deus.
Se for através de um texto de Arnaldo Jabor.... então que seja

quinta-feira, 23 de abril de 2009

COISAS DO COTIDIANO

PIPOCA OU PIRUÁ?
Existem observações que somente algumas mentes privilegiadas fazem. E, depois que as ouvimos, só nos resta perguntar: por que não pensei nisso?
É o caso do Professor Rubem Alves. Seus cometários são sempre uma inspiração para reflexões mais profundas. Elas provocam uma continuidade de pensamento. Eu mesmo já produzi alguns textos que são meras anotações à margem de suas crônicas. Uma delas publiquei neste blog.
Um texto brilhante, atribuído a Rubem Alves, me chegou às mãos. O título, "milho de pipoca". Nada mais simples e cotidiano. Não pude, no entano, deixar de pensar em quantas pessoas do meu convívio orgulham-se de serem duras e imutáveis. Querem ser o que são e não o que Deus sonhou que fossem.
Já ousei, em outras oportunidades, fazer resenha comentada de alguns textos do Professor Rubem Alves. Neste caso, porém, não há o que comentar e não seria prudente resumir o texto sob pena de diminuir seu brilho. Convido-os a ler e refletir
Milho de Pipoca
A transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação por que devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho de pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro.
O milho de pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer. Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre.
Assim acontece com gente. As grandes transformaçoes acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosas. Só elas não percebem. Acham que é o seu jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor.
Pode ser o fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder o emprego, ficar pobre. Pode ser o fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão, sofrimentos cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso do remédio. Apagar o fogo. Sem fogo, o sofrimento diminui e com isso a possibilidade da grande transformação.
Pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pensa que a sua hora chegou: vai morrer. Dentro de sua casca dura, fechada em is mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: Bum! E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente, com que ela mesma nunca havia sonhado.
Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar. São aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. A sua presunção e o medo são a dura casca que não estoura. O destino delas é triste. Ficarão duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca e macia. Não vão dar alegria a ninguém.
Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.
E você o que é? Uma pipoca estourada ou um piruá?

quinta-feira, 2 de abril de 2009

PASTORAL - DIA DE MISSÕES MUNDIAIS

Então.....USA-ME SENHOR

Você contou quantas vezes você repetiu essa frase este mês?

Cantamos à exaustão, lemos a divisa, recitamos o tema, acompanhamos as crianças nas suas apresentações antes de saírem para seu culto especial, nas salas da EBD, e outras oportunidades que não me lembro. Ao final da campanha, o quanto dessas repetições expressou um real desejo de cada crente ser usado? Ou qual o percentual de afirmações será transformado em ações concretas?

Eu não sou especialista em publicidade, mas parece que a exposição maciça e repetitiva de um mesmo fato, especialmente um crime ou tragédia, vai perdendo seu impacto sobre nossas emoções. Crimes bárbaros, cenas chocantes, notícias bombásticas, se forem repetidas muitas vezes na televisão, vão se banalizando e já não nos chocamos mais. Parece que foi o que aconteceu com a expressão: “Podemos ir, orar ou contribuir” na obra missionária. A frase, em si , já não causa nenhum efeito nas pessoas. Infelizmente, “eis aqui, envia-me a mim” passa despecerbido na letra da do hino oficial (embora seja a parte mais linda do hino de missões deste ano).

Que esperança de reação, então, uma vez que as frases, já gastas pelo uso constante, não provocam mais reações emocionais, e as pessoas as repetem como qualquer outra parte de um cântico? A nossa esperança reside no fato que é Palavra de Deus e desejo de Deus. E a Palavra é viva e eficaz, é penetrante até a divisão da alma e do espírito, é apta para discernir os pensamentos e as intenções do coração. Nossa esperança descansa no fato que é o Espírito Santo quem nos guia a toda a verdade e interpretação dessa Palavra Viva.

Portanto, ainda resta uma esperança. Não na força publicitária da campanha, mas na ação do Espírito em cada coração. É Ele que vai nos chocar e emocionar quando cantarmos “Eis-me aqui, envia-me a mim”. É Ele que vai nos confrontar e nos fazer entender qual a Sua vontade: ir, orar ou contribuir?. É Ele que vai trazer peso às palavras e nos fazer refletir quando lermos a divisa ou recitar o tema.

Neste ano, deixe o Espírito falar ao seu coração. Não repita palavras, retenha a Palavra. Não apenas cante, se encante com a obra missionária. Quem sabe, nesta campanha, teremos alguém não só cantando, mas dizendo para Deus de fato: Eis-me aqui, envia-me a mim, e uma grande obra missionária começará em nossa igreja.
Deus está agindo, mas nós ainda estamos trabalhando de forma desordenada por falta de líderes para missões desde locais até mundiais.
Quem sabe não seja para você esta pastoral, e após lê-la diga:

“Então...usa-me, Senhor!

Fique na paz
Pr. Sidnei

terça-feira, 17 de março de 2009

COISAS DO COTIDIANO

“VALE TUDO” PARA JESUS

Esta a firmação pode ser compreendida da algumas formas. As duas principais seriam: "Tudo que fizermos para Jesus tem valor, por mais insignificante que gesto possa parecer para as pessoas". É o caso do galardão de profeta para aquele que der um copo de água para o profeta. Uma segunda forma de compreender seria: "Qualquer risco, qualquer medida extrema, vale a pena se for por Jesus". É o lance do "Em nada tenho a minha vida por precisosa..." Qualquer das duas interpretações soaria correta para um cristão. Esta semana, no entanto, uma terceira aplicação desta expressão tomou lugar na Folha on Line do jornal Folha de São Paulo. O título da materia era esse:
“Igreja Renascer monta ringue de vale-tudo em templo para atrair mais jovens a culto em SP”

Neste caso "Vale para Jesus" assume o seguinte significado: Uma luta de Vale Tudo para divulgar Jesus.

A luta de vale tudo é uma das mais violentas que existe. As pessoas podem usar socos e pontapés e sangram até desmaiarem ou desistirem. Mesmo dominadas, as pessoas são espancadas impiedosamente. Muitos atletas de esportes de combate censuram essa prática, pelo espírito animalesco, pelo instinto de auto preservaçãop, que se apodera dos competidores durante os combates. Pessoas que, no seu dia-a-dia, são doces e dóceis. Pois é! Se até as pessoas que praticam esportes de contato abominam essa luta, como poderia uma coisa dessas ser atrativo para Jesus, o Príncipe da Paz.

Não questiono, nem tenho condições de julgar, as intenções de quem montou esta estratégia de marketing. É que esta manchete reacendeu algo que procuro não pensar. O fato de que o desespero pela conquista de fieis tem assumido proporções tão alarmantes que o nível de criatividade, nos arraiais onde o suporte financeiro vem das ofertas dos ouvintes ou telespectadores, tem beirado a insanidade. Veja a TV. Se a igreja “A” consegue mais fiéis, mostrando milagres (alguns questionáveis, pois nunca se vê a pessoa antes do milagre), a igreja “B” que se especializava em prosperidade financeira, passa, também, a fazer propaganda de milagres para competir com a igreja “A”. Neste caso, vale tudo para conseguir mais contribuintes. Por isso o apóstolo Paulo adverte “O amor ao dinheiro é a raiz de toda espécie de males: e nessa cobiça alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores” (1 Tm 6.10) .

Há muita publicidade e pouco testemunho. E o que chamam de testemunho, na verdade, é publicidade da igreja ou do pastor. Jesus não precisa de publicidade ou propaganda, Ele trabalha através do testemunho de vidas transformadas no dia-a-dia . As pessoas, entretanto, parecem achar mais fácil atrair as pessoas com atividades bisonhas ou show pirotécnico do que viver uma vida tão transformada que as pessoas queiram saber quem fez tal transformação.

Tenho certeza que Deus salvará algumas destas pessoas, porque as pedras estão clamando e isso, por falta do nosso testemunho. Deus salvará algumas das pessoas destas igrejas, apesar dos pregadores e dos métodos. É o evangelho pregado, no dizer de Paulo, por contenda ou inveja.

Pessoas se salvarão de alguma forma por causa do amor de Deus. Mas será que não nos dói na consciência que, para isso, o poder de Cristo tem que ser tão rebaixado. Será que vamos ter que aceitar que estratégias mais agressivas de marketing funcionam mais do que o testemunho de uma vida transformada.
Será que vamos ter que aceitar que, para as pessoas virem à igreja, é lícito fabricar milagres em programas de televisão, pedindo ofertas incessantes enriquecendo uma minoria.
Será que teremos de ver líderes processados ou presos por evasão de divisas, enriquecimento ilícito, falência fraudulenta, estelionato, charlatanismo ou qualquer outro ilícito de que tivemos notícia no Brasil ou no mundo e dizer: “mas as igrejas deles estão cada vez mais cheias”. É o fim do mundo!!!

Já dizia o intelectual no passado: “O mundo está ruím, nem tanto pela ação dos maus, muito mais pela omissão dos bons”

Se temos que engolir fatos bizarros nas igrejas é porque não temos feito da forma correta o que Jesus ensinou. Ir ao mundo, buscar os perdidos, mostrar amor, falar do perdão de Cristo, dizer que o salário do pecado é a morte, mas o presente de Deus é vida eterna em Cristo Jesus.

Enquanto não fizermos isso, ficaremos assistindo, impotentes, o sucesso daqueles que não falam de pecado, da cruz, de Cristo, de perdão, enfim... de coisas que não conhecem. Vamos assistir de camarote a fabricação de um monte de “vitoriosos” que não se preocuparam em obter perdão e, ao final da vida, estarão no inferno porque experimentaram prosperidade, sucesso, saúde, mas não graça de Cristo. Isto vai para nossa conta.
Não fique em paz

Pastoral DIA INTERNACIONAL DA MULHER

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Alguém, certamente um homem, poderá perguntar: Por que um dia da mulher e não do homem? Como toda pergunta merece uma resposta eu arrisco a minha: Para ser lembrada como mulher.
As mulheres, para os homens, são crianças, adolescentes, namoradas, depois, esposas e, com o passar dos tempos, após muitas dificuldades juntos, ela é elevada à categoria de companheira.
As mulheres, por serem mais sensíveis, não precisam ser lembradas de como é a estrutura psicológica do homem. Ela sabe que precisa apoiá-lo nos seus momentos de desemprego, de fracasso, após um negócio frustrado, etc. Ela sabe o que lhe faz sentir-se prestigiado, honrado, mesmo quando todos o têm por derrotado. Essa sensibilidade é algo que Deus colocou na essência da mulher. É como amar o marido. É inerente a ela e a bíblia não precisa lembrá-la disso, lembra apenas ao homem.
As mulheres precisam de um dia especial, para que os homens se lembrem que adolescentes, namoradas, esposas, viúvas, solteiras, descasadas, companheiras são, antes de qualquer papel social, mulheres.
O apóstolo Pedro entendeu bem essa negligência por parte dos homens quando escreve: “Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade...” Por frágil, deve-se se entender que a mulher, em qualquer idade ou papel social, é mais sensível que o homem. Não equivale a fraqueza, porque ele é capaz, pelos filhos e pelo marido, de ações que o homem jamais suportaria.
Elas precisam de um dia especial para que lembremos que negar-lhe um elogio, desprezar seu ponto de vista, criticar seus choros, ignorar suas emoções ou envergonhá-la tem o mesmo efeito que tirar, publicamente, a autoridade do homem.
Elas precisam de um dia especial para que lembremos que a Bíblia fala que as mulheres devem ser submissas aos maridos e não que os maridos devem submeter sua mulher a suas vontades. É uma iniciativa da mulher significando que mesmo tendo expressado sua opinião, apoiá-lo nas dele. Dar segurança a ele, porque o homem tem essa carência de liderança, assim como a mulher tem carência de demonstração de amor, não somente afirmações intelectuais do tipo “você sabe que eu te amo então não me enche”.
É justíssimo tem um Dia Internacional da Mulher. Nem tanto pelas mulheres, mas pelos homens.
Nós precisamos refletir, pelo menos uma vez por ano, sobre a feminilidade e sobre os estragos emocionais que temos causado pelo desconhecimento de conceitos bíblicos tão elementares.
PARABÉNS MULHERES! VOCÊS FORAM CRIADAS PARA TORNAR NOSSA VIDA MELHOR.

Pastor Sidnei

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

PASTORAL DE CARNAVAL

SE SE MORRE DE AMOR!

O título pode parecer estranho, mas é o título de um poema de Gonçalves Dias.
Lá pelos idos de 1976, escolhi Gonçalves Dias como o escritor de quem eu falaria numa espécie de concurso de literatura. Na verdade eu o escolhi por causa da “Canção do Exílio”, a famosa Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá. Quando, no entanto, comecei estudar sua vida e sua obra, descobri que sua capacidade de retratar suas experiências pessoais, em forma de poema, superava seus escritos épicos indianistas.

Levantei-me nesta sexta feira com esse poema na cabeça e, quanto mais eu pensava neste poema, mais eu associava com o tipo de amor de dedicamos – ou sentimos- por Cristo e sua igreja, mais especificamente nossas igrejas locais. Pode parecer esquisito para alguns, mas se tiverem oportunidade de ler o poema, perceberão a razão da minha analogia.

Para ajudar a entender minha viagem ao século passado, às minhas aulas de literatura, vejamos como o poema nasceu. Ele foi escrito, segundo um biógrafo, em 1852 no Recife, após ouvir, num serão, a contestação de algumas senhoras da sociedade, de que o amor pudesse matar. Impactado pela carta que recebera da mãe de sua amada negando-lhe a mão de Ana Amélia, ele passou a analisar este fato. E dessa análise surgiu o poema.

Seu poema tem duas partes: a primeira ele fala de sentimentos e emoções que não passam de fascinação, de emoções vindas de ruídos dos saraus, nas orquestras e no alcançar prazer no que ouve e no que vê. Ele conclui: se outro nome lhe dão, se amor o chamam , de amor igual ninguém sucumbe à perda. Na segunda parte ele fala de um outro tipo de amor e, no trecho mais conhecido ele diz: ...Sentir sem que se veja, a quem adora. Compreender, sem lhe ouvir seus pensamentos... Ele fala de um amor que depois de unido não resiste à separação e que inveja os que encontram o fim deste sofrimento na sepultura. Desse amor, diz ele, desse amor se morre.

Não consegui dissociar a descrição de Gonçalves Dias do amor que temos sentido por Cristo e sua igreja. Que tipo de amor sentimos? Ou podemos chamar de amor àquilo que sentimos? Não seria fascinação pelo ambiente, a música, as festas, as pessoas? Se Gonçalves Dias analisasse o amor que alguns têm sentido pela igreja. Amor sem compromisso, amor interesseiro, amor passageiro, amor leviano. Na sua indagação: Se se se morre de amor! Diria ele, Desse amor não se morre.

Mas se o seu amor por cristo e a igreja é como dois corações que não podem se separar, como um tronco que, se rachado não subsistiria. Aquele amor que faz sofrer quando a igreja sofre, que dói na alma quando o pecado adentra, que corroi de saudade quando não pode fazer mais. Se seu amor é assim, desse amor se morre.

Como é seu amor por Cristo e a igreja?
Se morre desse amor?
Fique na paz
Pr. Sidnei