quarta-feira, 30 de setembro de 2009
COISAS DO COTIDIANO
Quando pensamos em raposas, principalmente as das fábulas, logo nos vem à mente aquele animalzinho que sempre engana alguém com seus argumentos matreiros. Há, no entanto, uma raposa diferente de todas as outras. Uma raposa, cujo diálogo, longe de parecer astuto, passa a impressão de um ser ingênuo, carente, bem intencionado e com um profundo conhecimento do que seja uma amizade genuina. A raposa do livo "O Pequeno Principe".
Fazer uma exegese do diálogo da raposa com o princepezinho bem que poderia ser a ocupação de um sábado à tarde de qualquer igreja (não vamos dizer domingo à noite para não escandalizar). Os detalhes do diálogo são quase como tópicos de uma palestra sobre relacionamentos profundos. (não vamos dizer de um sermão para não escandalizar)
Quando comecei este texto, pensei em destacar as principais falas da raposa para serem usadas com gatilhos para discussão em grupo. Desisti quando percebi que tinha destacado quase todas as falas. Como corro o risco de ter exagerado na minha admiração pelo texto, deixo para o leitor a conclusão do que destacaria para suas reflexões sobre relacionamentos interpessoais genuinos.
(…)- Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita…
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste…
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- Que quer dizer “cativar”?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer “cativar”?
- Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que fazem. Tu procuras galinhas?
- Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer “cativar”?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa “criar laços…”
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo…
- Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor… eu creio que ela me cativou…
- É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra…
- Oh! não foi na Terra, disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
- Num outro planeta?
- Sim.
- Há caçadores nesse planeta?
- Não.
- Que bom! E galinhas?
- Também não.
- Nada é perfeito, suspirou a raposa.
Mas a raposa voltou à sua idéia.
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.
O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo…
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor… cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto…
No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração… É preciso ritos.
- Que é um rito? perguntou o principezinho.
- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias!
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse…
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada!
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.(…)
Então, como seriam nossas igrejas e comunidades se houvessem mais raposas desse tipo.
Boa leitura de "O Pequeno Príncipe". Eu sei que você não vai resistir
quarta-feira, 3 de junho de 2009
COISAS DO COTIDIANO
Ja reparou a velocidade com que os textos se multiplicam na Internet? De repente alguém descobre um pérola e já repassa para os amigos, que repassam para outros amigos e assim, em poucos minutos, milhões de pessoas têm nas mãos alguma informação.
Outro dia o Arnaldo Jabor, numa entrevista, disse que desistiu de escrever informando que determinados textos que circulam na Internet em seu nome, não são de sua autoria. Disse ainda que alguns desses textos eram até bons. A maioria, no entanto, era muito ruim.
Outros jornalistas e escritores devem passar pelo mesmo constrangimento. Lembrei-me do Arnaldo Jabor porque outro dia, numa repartição pública, enquanto demorava ser atendido, li e reli várias vezes uma crônica atrbuída a ele por nome "Paciência". Não tenho certeza se foi ele realmente quem ecreveu, mas como eu já encontrei este texto em várias lojas e repartições públicas e, em todas, aparecia seu nome como o autor, vou partir dessa premissa.
É claro que o objetivo da crônica estar em lugar tão visível, com autoria atribuída a um jornalista tão brilhante, é estimular o cliente ou usuário do serviço a considerar a paciência uma grande virtude e, enquanto espera o serviço - que às vezes demora muito - vai se edificando com as palavras do texto, aliás, muito bem escrito fazendo apologia a paciência, a virtude de poucos.
O que eu quero, na verdade, é considerar uma frase no final da crônica. O autor termina com a seguinte afirmação: "Não somos seres humanos passando por uma experiência espiritual, mas seres espirituais passando por uma experiência humana". Me ocorreu o fato de quantos milhões de pessoas leram e se encantaram, como eu, com esta afirmação e quantas outras não tomaram-na como "filosofia de vida".
Parece que quando um jornalista da Globo diz, prestamos atenção, enviamos para os amigos, afixamos em lugar visível até tomamos como nossa filosofia de vida. O que o Arnaldo Jabor disse não é mentira, aliás, é a verdade mais verdadeira da existência humana. Só que este pensamento alcança apenas parte das explicações. Quando Arnaldo Jabor diz esta grande verdade, que somos seres espirituais vivendo uma experiência humana, falta nos dizer o porquê, mas a bíblia responde.
Somos espirituais porque fomos feitos à semelhança de Deus que é Espírito.
Vivemos uma experiência humana porque Ele nos criou para sermos a coroa de toda criação. Inteligentes, com capacidade e liberdade de decidir o que queremos. Vivemos uma experiência humana para, nesse tempo de vida, fazermos escolhas que definirão nosso futuro espiritual.
Vivemos uma experiência humana porque, nessa liberdade de escolha que Deus deu ao homem, o homem escolheu afastar-se de Deus e tem encontrado, para a tristeza de Deus, mais prazer no pecado. Essa experiência humana é o tempo que o ser humano tem de voltar-se para Deus e, através de Cristo, sair do seu estado de condenação, para que a sua essência espiritual desfrute eternamente da presença de Deus.
Jesus Cristo passou por uma experiência humana para nos salvar da morte espiritual. "O Verbo se fez carne"(João 1:14) ou "Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu único filho para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna". (João 3:16)
Nossa experiência humana é o tempo que Deus nos dá para resolver nossa situação espiritual.
Também acho o Arnaldo Jabor um grande cronista: ele levanta grandes questões. Mas só a bíblia tem as respostas para as maiores dilemas do ser humano, ou como diria Jabor: dos “seres espirituais vivendo uma experiência humana”.
Deus tem procurado, de alguma forma, fazer essas verdades chegarem ao coração do homem. A sociedade materialista rejeita tudo que é espiritual. O pensamento imediatista do ser humano o impede de pensar na eternidade. As preocupações com o corpo o impede de pensar no espírito.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
COISAS DO COTIDIANO
quinta-feira, 2 de abril de 2009
PASTORAL - DIA DE MISSÕES MUNDIAIS
Você contou quantas vezes você repetiu essa frase este mês?
Eu não sou especialista em publicidade, mas parece que a exposição maciça e repetitiva de um mesmo fato, especialmente um crime ou tragédia, vai perdendo seu impacto sobre nossas emoções. Crimes bárbaros, cenas chocantes, notícias bombásticas, se forem repetidas muitas vezes na televisão, vão se banalizando e já não nos chocamos mais. Parece que foi o que aconteceu com a expressão: “Podemos ir, orar ou contribuir” na obra missionária. A frase, em si , já não causa nenhum efeito nas pessoas. Infelizmente, “eis aqui, envia-me a mim” passa despecerbido na letra da do hino oficial (embora seja a parte mais linda do hino de missões deste ano).
Portanto, ainda resta uma esperança. Não na força publicitária da campanha, mas na ação do Espírito em cada coração. É Ele que vai nos chocar e emocionar quando cantarmos “Eis-me aqui, envia-me a mim”. É Ele que vai nos confrontar e nos fazer entender qual a Sua vontade: ir, orar ou contribuir?. É Ele que vai trazer peso às palavras e nos fazer refletir quando lermos a divisa ou recitar o tema.
Neste ano, deixe o Espírito falar ao seu coração. Não repita palavras, retenha a Palavra. Não apenas cante, se encante com a obra missionária. Quem sabe, nesta campanha, teremos alguém não só cantando, mas dizendo para Deus de fato: Eis-me aqui, envia-me a mim, e uma grande obra missionária começará em nossa igreja.
“Então...usa-me, Senhor!
Fique na paz
Pr. Sidnei
terça-feira, 17 de março de 2009
COISAS DO COTIDIANO
Esta a firmação pode ser compreendida da algumas formas. As duas principais seriam: "Tudo que fizermos para Jesus tem valor, por mais insignificante que gesto possa parecer para as pessoas". É o caso do galardão de profeta para aquele que der um copo de água para o profeta. Uma segunda forma de compreender seria: "Qualquer risco, qualquer medida extrema, vale a pena se for por Jesus". É o lance do "Em nada tenho a minha vida por precisosa..." Qualquer das duas interpretações soaria correta para um cristão. Esta semana, no entanto, uma terceira aplicação desta expressão tomou lugar na Folha on Line do jornal Folha de São Paulo. O título da materia era esse:
Neste caso "Vale para Jesus" assume o seguinte significado: Uma luta de Vale Tudo para divulgar Jesus.
A luta de vale tudo é uma das mais violentas que existe. As pessoas podem usar socos e pontapés e sangram até desmaiarem ou desistirem. Mesmo dominadas, as pessoas são espancadas impiedosamente. Muitos atletas de esportes de combate censuram essa prática, pelo espírito animalesco, pelo instinto de auto preservaçãop, que se apodera dos competidores durante os combates. Pessoas que, no seu dia-a-dia, são doces e dóceis. Pois é! Se até as pessoas que praticam esportes de contato abominam essa luta, como poderia uma coisa dessas ser atrativo para Jesus, o Príncipe da Paz.
Há muita publicidade e pouco testemunho. E o que chamam de testemunho, na verdade, é publicidade da igreja ou do pastor. Jesus não precisa de publicidade ou propaganda, Ele trabalha através do testemunho de vidas transformadas no dia-a-dia . As pessoas, entretanto, parecem achar mais fácil atrair as pessoas com atividades bisonhas ou show pirotécnico do que viver uma vida tão transformada que as pessoas queiram saber quem fez tal transformação.
Tenho certeza que Deus salvará algumas destas pessoas, porque as pedras estão clamando e isso, por falta do nosso testemunho. Deus salvará algumas das pessoas destas igrejas, apesar dos pregadores e dos métodos. É o evangelho pregado, no dizer de Paulo, por contenda ou inveja.
Pessoas se salvarão de alguma forma por causa do amor de Deus. Mas será que não nos dói na consciência que, para isso, o poder de Cristo tem que ser tão rebaixado. Será que vamos ter que aceitar que estratégias mais agressivas de marketing funcionam mais do que o testemunho de uma vida transformada.
Já dizia o intelectual no passado: “O mundo está ruím, nem tanto pela ação dos maus, muito mais pela omissão dos bons”
Se temos que engolir fatos bizarros nas igrejas é porque não temos feito da forma correta o que Jesus ensinou. Ir ao mundo, buscar os perdidos, mostrar amor, falar do perdão de Cristo, dizer que o salário do pecado é a morte, mas o presente de Deus é vida eterna em Cristo Jesus.
Enquanto não fizermos isso, ficaremos assistindo, impotentes, o sucesso daqueles que não falam de pecado, da cruz, de Cristo, de perdão, enfim... de coisas que não conhecem. Vamos assistir de camarote a fabricação de um monte de “vitoriosos” que não se preocuparam em obter perdão e, ao final da vida, estarão no inferno porque experimentaram prosperidade, sucesso, saúde, mas não graça de Cristo. Isto vai para nossa conta.
Pastoral DIA INTERNACIONAL DA MULHER
Alguém, certamente um homem, poderá perguntar: Por que um dia da mulher e não do homem? Como toda pergunta merece uma resposta eu arrisco a minha: Para ser lembrada como mulher.
Pastor Sidnei
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
PASTORAL DE CARNAVAL
O título pode parecer estranho, mas é o título de um poema de Gonçalves Dias.