terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

PASTORAL DE CARNAVAL

SE SE MORRE DE AMOR!

O título pode parecer estranho, mas é o título de um poema de Gonçalves Dias.
Lá pelos idos de 1976, escolhi Gonçalves Dias como o escritor de quem eu falaria numa espécie de concurso de literatura. Na verdade eu o escolhi por causa da “Canção do Exílio”, a famosa Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá. Quando, no entanto, comecei estudar sua vida e sua obra, descobri que sua capacidade de retratar suas experiências pessoais, em forma de poema, superava seus escritos épicos indianistas.

Levantei-me nesta sexta feira com esse poema na cabeça e, quanto mais eu pensava neste poema, mais eu associava com o tipo de amor de dedicamos – ou sentimos- por Cristo e sua igreja, mais especificamente nossas igrejas locais. Pode parecer esquisito para alguns, mas se tiverem oportunidade de ler o poema, perceberão a razão da minha analogia.

Para ajudar a entender minha viagem ao século passado, às minhas aulas de literatura, vejamos como o poema nasceu. Ele foi escrito, segundo um biógrafo, em 1852 no Recife, após ouvir, num serão, a contestação de algumas senhoras da sociedade, de que o amor pudesse matar. Impactado pela carta que recebera da mãe de sua amada negando-lhe a mão de Ana Amélia, ele passou a analisar este fato. E dessa análise surgiu o poema.

Seu poema tem duas partes: a primeira ele fala de sentimentos e emoções que não passam de fascinação, de emoções vindas de ruídos dos saraus, nas orquestras e no alcançar prazer no que ouve e no que vê. Ele conclui: se outro nome lhe dão, se amor o chamam , de amor igual ninguém sucumbe à perda. Na segunda parte ele fala de um outro tipo de amor e, no trecho mais conhecido ele diz: ...Sentir sem que se veja, a quem adora. Compreender, sem lhe ouvir seus pensamentos... Ele fala de um amor que depois de unido não resiste à separação e que inveja os que encontram o fim deste sofrimento na sepultura. Desse amor, diz ele, desse amor se morre.

Não consegui dissociar a descrição de Gonçalves Dias do amor que temos sentido por Cristo e sua igreja. Que tipo de amor sentimos? Ou podemos chamar de amor àquilo que sentimos? Não seria fascinação pelo ambiente, a música, as festas, as pessoas? Se Gonçalves Dias analisasse o amor que alguns têm sentido pela igreja. Amor sem compromisso, amor interesseiro, amor passageiro, amor leviano. Na sua indagação: Se se se morre de amor! Diria ele, Desse amor não se morre.

Mas se o seu amor por cristo e a igreja é como dois corações que não podem se separar, como um tronco que, se rachado não subsistiria. Aquele amor que faz sofrer quando a igreja sofre, que dói na alma quando o pecado adentra, que corroi de saudade quando não pode fazer mais. Se seu amor é assim, desse amor se morre.

Como é seu amor por Cristo e a igreja?
Se morre desse amor?
Fique na paz
Pr. Sidnei

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

COISAS DO COTIDIANO


E DAÍ SE FOR O OBAMA ?

A internet está transbordando de vídeos e textos dos discursos de Barak Obama que, com muita freqüência têm sido associados com às pretensões do Anticristo. Nunca os crentes enviaram tanto e-mails como agora. A pergunta que não quer calar é “Será que Obama é o Anticristo?”
E daí se for?

Algumas coisas descritas como indicadores dos últimos tempos já estão acontecendo há muito tempo. No discurso apocalíptico de Lucas 21 Jesus diz que, nos últimos dias se ouviriam de guerras e revoluções. Nação contra nação, reino conta reino. Terremotos, epidemias, fome em vários lugares. Diz também que os crentes seriam levados à prisão por causa do evangelho, seriam entregues pelos pais, irmãos, parentes e amigos; seriam odiados por causa do nome de Jesus; haveria falsos cristos, tortura, morte, apostasia, esfriamento do amor, multiplicação da iniqüidade.

Por que só se preocupar com o tal do Barak?

Outros líderes mais recentes já fizeram o mesmo discurso e se foram. Alguém poderá dizer: “Desta vez é mais sério. Ele falou contra a bíblia, pregou uma cultura única, comércio único. Só faltou falar em religião única”

Repito: E daí? Jesus diz em Lucas 21.28 “Ora, ao começarem estas coisas a suceder, exultai e erguei as vossas cabeças; porque a vossa redenção está próxima.”

O que muda para você se for o Obama? Já sei, você tem uma vaga lembrança de ter ouvido falar em tribulação de 7 anos, sinal da besta, etc. Se você for pós- tribulacionista deve estar com as barbas de molho, eu entendo. Talvez mudando para pré-tribulacionista te anime ou meso-tribulacionista te conforte. Desculpe a ironia, mas, se vamos pensar escatologicamente, temos que pensar no todo, não só no Anticristo - que no momento, estão achando, é o tal do Barak. Tem mais coisas a pensar. Pense na sua redenção, no arrebatamento, Bodas do Cordeiro, Milênio, Tribunal de Cristo, Galardão, Céu. Ops! me empolguei. Já estou quase querendo que seja mesmo o Obama!
Pode ser alarme falso, mas se for mesmo o Obama...
E daí?
Fique na Paz

PASTORAL 28 DE DEZEMBRO

O CADERNO NOVO

“... mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, afim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus” (Fp. 3.13, 14).

Quando adolescente, sempre tive problemas com constância de caligrafia e organização das matérias. Eu via meus colegas escrevendo tudo que o professor colocava na lousa, os títulos em cor vermelha, separação por traço, palavras grifadas e eu não conseguia ter um caderno bonito. O que me consolava eram as minhas notas que não eram tão más. Descobri mais tarde que meu melhor canal de comunicação era a audição, por isso eu me prendia tanto ao que a professora falava e não conseguia ter um caderno visualmente bonito.

Minha grande satisfação era quando o caderno feio acabava e eu tinha que começar um caderno novo. Aquela imagem horrível era esquecida e eu tinha chance de começar de novo na esperança de fazer melhor. O caderno novo me enchia de esperança. Quem o olhasse nos primeiros meses de uso não fazia idéia do que fora o semestre anterior.

Esta é a proposta de Paulo aos Filipenses. Não permitir que os fantasmas do passado pecaminoso impeçam o avançar para o alvo. Paulo nunca esqueceu o que ele foi: nem o religioso fiel, nem o perseguidor implacável da igreja. Ele os menciona com freqüência, todavia o faz como um fato perdoado e liquidado.
Como meu caderno velho. Eu sabia que ele existia, tinha muita coisa escrita nele, mas era passado. Eu não precisava ficar preso aos garranchos. Poderia começar de novo e melhor.

O ano de 2008 é como um caderno onde registramos nossos atos. Ele só tem mais algumas páginas e logo precisará ser trocado. Talvez seja sua chance de começar um caderno novo mais bonito. Deve existir coisas neste caderno das quais você se envergonha e não vê a hora de fechar e escondê-lo. Só que, para isso, é preciso resolver algumas questões. Antes de fechá-lo, veja se não há algo que você precise confessar e abandonar, porque caso não o faça, duas conseqüências serão sintomáticas: Este caderno um dia será aberto na presença de Jesus e as práticas não confessadas, ainda estarão ali depondo contra você e as não abandonadas, serão reeditadas no novo caderno.

Dê uma folheada no seu caderno velho e veja o que precisa ser abandonado. O que causou vergonha ou tristeza para você, alguém que o ama e, principalmente, a Deus. Paulo baseou sua meta de vida nas promessas de Deus: “Sou eu quem apaga tuas transgressões por amor de mim e dos teus pecados não me lembro”.
Comece um caderno novo, limpo e lindo em 2009. Não há do que se envergonhar se Deus já o perdoou. Estaremos todos começando um caderno novinho em folha. Depende de cada um de nós como este caderno estará em dezembro de 2009.
Feliz Ano Novo!
Pr. Sidnei

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Pastoral dia 21 de dezembro

A QUARTA FEIRA EM QUE DEUS SORRIU!

Que diremos, pois, a estas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que nem seu próprio Filho poupou, antes o entregou por nós, como não nos dará com ele todas as coisas? Romanos 8.31,32.

A quarta feira passada foi um dia muito especial. Já sabíamos que não seria um culto normal de oração porque, como temos feito nos últimos anos, seria somente para gratidão. É um bom exercício, chegar diante do Todo Poderoso, cheio de desejos e necessidades e, ao invés de pedir, agradecer.

É uma experiência indescritível ver as pessoas, timidamente, começarem a mencionar algo que, em sua opinião, merece ser compartilhado para que a igreja se alegre com ela e, aos poucos outros vão tomando coragem ou se lembrando e o culto parece não ter fim. Sabemos que tudo que é bom vem de Deus e merece gratidão. Mas para isso existiram todas as quartas durante o ano. Quarta não! Esta quarta era reservada às coisas, que em nossa avaliação, eram gigantes e precisavam ser compartilhadas com toda a igreja.

Mesmo sendo a quarta da gratidão, foi uma quarta de gratidão diferente. O número de testemunhos por bênçãos não materiais foi algo que alegrou muito o coração do pastor. Imagine o coração de Deus.

Ninguém desfilou sua fé ou a sensação de ser o preferido de Deus, porque o ano passado estava falido e hoje tem carro importado, tem casas de aluguel, come em bons restaurantes, e vive como o rico da parábola. Nossos testemunhos foram de pessoas que, embora saibam que Deus possa, se quiser, dar todas as coisas, estão mais gratos pelo fato de Deus não ter poupado seu próprio Filho por amor a nós.

Quem esteve presente, viu os olhos brilhando de gratidão pelo simples fato de ter sua vida livre de tragédias, um emprego de doméstica, uma vaga na escola, o amor da igreja pela sua vida, por cura de enfermidade, por poder pagar a faculdade e outras coisas que os adeptos da Teologia da Prosperidade achariam desprezíveis.

Pois é! Nossa quarta de gratidão foi diferente. Deus já estava feliz por ver cumprido em nossa igreja o texto bíblico que os “da prosperidade” rasgaram de suas bíblias: Porque nada trouxemos para este mundo e é certo que nada levaremos dele. Tendo, porém, sustento e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes (1 Tm 6.78) , mas o melhor ainda estava por vir.

Imagino o grande sorriso de Deus quando os seus filhos começaram a agradecer por conquistas que, de certa forma, foi a razão de Cristo ter morrido – quebrar as cadeias do pecado em nossa vida. Pode-se imaginar, diante de tanta coisa a agradecer, alguém agradecer por ter podido perdoar e pedir perdão ao padrasto? Ou um novo convertido agradecer a Deus por ter mudado seu gênio difícil e pedir perdão a sua irmã.

O culto foi mudando de rumo e o sorriso de Deus, imagino,tenha ficado ainda mais largo quando alguém conta que, para ela, a maior vitória do ano foi ter vencido o vício e, depois de mais de 20 anos afastada, poder se reconciliar com a igreja. Muitas outras coisas aconteceram que mostraram a maturidade espiritual da igreja e sua firmeza doutrinária no compartilhar das bênçãos. Infelizmente não há espaço para tudo, mas algo não pode ficar fora porque, além de alegrar Deus pela sinceridade e valor da gratidão, nos divertiu pela forma como foi dita. Eu vou tentar reproduzir porque foi um jeito adolescente, vocabulário compatível com a idade, mas de um significado contagiante. Foi mais ou menos assim:

Quero agradecer a Deus pela misericórdia dele porque este ano eu fui uma menina muito mau (sic). Eu fiz muita coisa ruim, fugi de casa, apanhei, fiz coisa que os amigos achavam que era legal, mas o legal é fazer o que Deus quer. Agradeço a Deus porque eu não morri este ano e deu tempo de eu me arrepender e voltar.

Por que eu acho que Deus sorriu neste quarta feira? Acho que é porque nós descobrimos o que Ele quer que realmente busquemos. Jesus disse que o comer, beber, vestir, isto é coisa que os gentios buscam e Deus sabe que precisamos e Ele nos dá. Mas, buscar a justiça do Reino é que faz a diferença. Acho que Deus olhou para nossa igreja e dizendo, Valeu a pena, sorriu!

Obrigado igreja por fazer Deus sorrir nesta quarta.
Seu pastor (que está rindo à toa)

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Pastoral de 23 de Novembro

O QUE SÃO ESSAS PEDRAS?


Você costuma guardar tranqueiras? Eu guardo. De vez em quando sou forçado a jogar fora um monte de velharia, porque está ocupando espaço. Confesso que, às vezes, desobedeço a Sandra e só mudo o lugar onde estava guardado

Você se lembra de alguma vez estar arrumando caixas e armários e seu filho perguntar o que é tal objeto? E, como se voltasse um filme, você reviu toda a cena envolvida com aquele objeto? Há coisas que nos remetem a episódios importantes da nossa história e, só de revê-lo, tudo fica muito vivo na memória.

Deus, sempre que um episódio devesse ser lembrado por gerações, mandava o líder separar algum objeto e guardá-lo para memória do povo.

O episódio da travessia do Rio Jordão não poderia ser esquecido (Js 4.1-7). Deus disse a Josué que um representante de cada tribo pegasse um pedra do lugar onde os sacerdotes ficaram parados no meio do rio enquanto as águas se abriram e o povo passou a pé enxuto. A razão está no v.6 e 7. “para que isto vos seja por sinal entre vós , e quando vossos filhos, no futuro, perguntarem: Que vos significam essas pedras?, então lhes direis que as águas do Jordão foram cortadas diante da arca da Aliança do Senhor... Essas pedras serão, para sempre, por memorial para os filhos de Israel.”

Há uma expressão popular que diz que brasileiro tem memória curta por votar no mesmo mal político ou por se esquecer dos ídolos do passado. Os crentes são piores ainda, porque sua falta de memória não só reflete ingratidão para com Deus e como lhe induz a repetir decisões precipitadas ou equivocadas.

O fim do ano está chegando, e com ele aqueles inevitáveis balanços pessoais, que na verdade são mais comparações do que balanços. Comparação do nosso progresso em relação ao ano anterior ou comparação daquilo que conseguimos em relação ao vizinho que sabe menos, trabalha menos do que noós. É assim que tem terminado nossos anos. “O que eu fiz?”

E o que Deus fez para você, por você, na sua família, na sua igreja?

Como você não guardou uma pedra para cada intervenção clara e sobrenatural de Deus, você precisa, agora, fazer um grande esforço mental para lembrar. Eu vou iniciar lembrando quantas pedras eu deveria ter guardado no meu gabinete.

Quando a igreja demonstrou tanto amor por mim em janeiro,
Quando levantou pessoas de Deus para lugares aparentemente insubstituíveis.
Quando alguns irmãos decidiram, ao invés de desanimar, buscar mais a Deus em oração para que Deus agisse na igreja.
Cada vez que um milagre era compartilhado nos cultos de oração.
Quando jovens, por iniciativa própria, reuniram-se para buscar santidade diante do Senhor.
Quando, na reunião de liderança de domingo, eu percebi que Deus havia mudado a visão da igreja, quanto à responsabilidade social,a partir de um trabalho simples com crianças do bairro iniciado pela Valéria, Simone e algumas adolescentes.

Ou ainda como Deus multiplicou nossos poucos recursos financeiros e fez superabundar em generosidade nossos irmãos na doação para a igreja durante este ano.

Eu deveria ter guardado pedras. Assim eu me lembraria mais do que Deus fez em Jardim Utinga em 2008. Mas graças a Deus lembrei ainda em tempo de glorificá–lo.

Essas pedras fazem falta. Se você as tivesse, e seu filho lhe perguntasse o que elas lhe representam, você poderia ensiná-lo a ser mais agradecido a Deus e a amar mais a igreja e ver que a “mão de Deus está aqui”. Poderia aproveitar e ensiná-lo que vida cristã é serviço e não lazer, e que serviço cansa, machuca, traz crítica injusta, mas realiza e atrai bênção.

Quando ele perguntasse sobre o significado das pedras você poderia ensinar que foram vitórias de Deus mesmo no medo, no desânimo, na fraqueza e até na fragilidade da fé, porque a vitória vinha do Senhor. Você poderia ensiná-lo a não desanimar nunca, porque nosso papel é lutar e o de Deus é dar a vitória.

Essas pedras fazem falta, porque nós também precisamos ser lembrados. Muitos não se lembram o que Deus fez. Alguns já desanimaram, entregaram os pontos e, para não ver uma necessidade que não vão suprir, vão ser expectadores em outras igrejas. “Longe dos olhos, longe do coração” .

Tenha pedras, pelo menos imaginárias no coração, como memorial da ação de Deus. Sem pedras, sem memória, Sem memória, sem gratidão. Sem gratidão, sem devoção. Sem devoção, morte.

Se não houver lembranças, seu filho não saberá do poder de Deus e não saberá o quanto Deus ama a igreja e ele também não amará a igreja, porque a memória se perdeu pelo caminho por falta de pedras

Fiquem na paz
Pr. Sidnei

sábado, 8 de novembro de 2008

COISAS DO COTIDIANO

A PROFESSORA BERNARDINA E O HOMEM DA VOZ ESGANIÇADA

Das atitudes malucas que eu tomei na vida, uma delas foi, em 1981, sair da Faculdade de Engenharia e entrar na Faculdade de Matemática com um filho recém-nascido. Além de ter causado uma tremenda sobrecarga à minha jovem esposa, não tive quase nenhum aproveitamento nos estudos. Uma das coisas, porém, de que não me esqueço; as aulas da professora Bernardina. Ela dava aulas de Cálculo às segundas feiras e de Lógica aos sábados à tarde. Era uma senhora alta, quase nunca sorria e sempre usava um lenço no pescoço. Estar num sábado à tarde na faculdade, depois de ter trabalhado e estudado a semana toda e ainda com um filho em casa que poderia estar curtindo ou ajudando a esposa, tornava a cena tão “ilógica” que, estando lá, o mais “lógico” seria prestar atenção nas aulas de Lógica da professora Bernardina.

Ela chamava de “silogismo” o raciocínio formado por três proposições. A premissa maior, a premissa menor e a conclusão. Admitidas as premissas como verdadeiras, a conclusão se deduz da premissa maior por intermédio da menor.

Você pode não ter entendido a Bernardina, mas entende a bíblia quando faz um silogismo. Todo ser humano precisa de Deus (premissa maior) eu sou um ser humano (premissa menor); logo, eu preciso de Deus (conclusão).

Nesta semana, um pregador radiofônico me fez voltar, em pensamento, às aulas de lógica de 1981. Ele disse: “Se você deu sua oferta para esse programa, nós estamos, em jejum, obrigando Deus a te enriquecer porque você está ajudando a pregar a Palavra e Deus não tem escolha. Você deu, Ele tem que te dar. Nós estamos aqui para lembrar Deus do compromisso dEle”. Viajei no pensamento de como a Professora Bernardina analisaria a proposição “Deus ama ao que dá com alegria” (2Co 9.7), um texto que, em tese, contradiz o mercenário radiofônico em questão.

Uma forma de silogismo seria: 1)Deus ama ao que dá oferta com alegria 2) eu dou oferta com alegria; logo, Deus me ama. Mas pode ser também: 1) Deus ama ao que dá com alegria 2) dar com alegria é doar pelo prazer de doar sem exigir nada em troca; logo, Deus ama ao que dá pelo prazer de dar sem exigir nada em troca.

As pessoas que, iludidas pelo argumento desses mercenários, ofertam pensando estar fazendo um negócio lucrativo com Deus, comprando o amor de Deus, enganam-se redondamente. Por ser Deus, Ele nos ama pela necessidade que temos do Seu amor. Ninguém pode comprar ou merecer o amor de Deus. Nada que façamos pode aumentar ou diminuir o amor de Deus por nós.

Deus ama aquele que, por retribuição ao amor de Deus, sem pesar e não forçado, ajuda aos necessitados, mas se ofende com aquele que acha que pode comprá-lo ou extorqui-lo por um dinheiro que Ele mesmo lhe deu. É uma afronta à Sua inteligência.

Acho que Professora Bernardina não aprovaria a hermenêutica do homem de voz esganiçada e trejeitos amalucados. Nem tanto pelo temor reverente a Deus, porque, se me lembro, a professora nunca mencionou essa característica, muito mais pela lógica que rege qualquer ser humano ao analisar 2Co 9.7 e perceber que uma oferta não pode forçar Deus a abençoar, muito menos uma oferta coagida, arrancada, interesseira e sem alegria. Deus não nos ama mais quando damos oferta. Ele se alegra mais quando percebe o exercício prático do nosso amor por aquilo que Ele nos deu.

Acho que me empolguei nas minhas reminiscências. Parece que minha lógica não é tão lógica assim e, “lógica que rege qualquer ser humano”, foi um exagero. Se assim fosse, esses mercenários não sobreviveriam à custa de tantos seres humanos.

Agradeci a Deus pela professora Bernardina, que nunca mais vi desde 1981, por ter me ensinado Lógica. Seu silogismo, Bernardina, talvez tenha ajudado outras pessoas a escaparem das armadilhas hermenêuticas dos aproveitadores de plantão.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Pastoral dia 02 de novembro

OLHAI OS LÍRIOS DO CAMPO

Este é o título de um livro muito lindo, se não me falha a memória, do Érico Veríssimo, aliás, um dos poucos livros que eu li na adolescência. Na minha ingenuidade e quase nenhuma experiência literária, não via conexão do título com o livro. Até que descobri que era uma expressão emprestada do Senhor Jesus.

Essas palavras foram usadas durante um discurso sobre o perigo da cobiça e a avareza. Um homem queria que Jesus convencesse seu irmão a repartir sua herança com ele. Jesus viu um desespero de ambição nas palavras daquele homem e começou a fazer um discurso de alerta.
Fazem parte desta pregação de Jesus outras pérolas como: ”Guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que possui” (Lc 12.15). A televisão, através de alguns programas ditos evangélicos, não faz outra coisa senão tentar desmentir Jesus e muitos dos nossos já foram contaminados com a inquietação, não aceitação, ou ainda, revolta contra não ter os melhores bens. Não vão descansar enquanto não tiver o que determinaram, não importa quantas almas precisem ir para o inferno por causa desta corrida maluca.

“Olhai os lírios do campo” está no verso 27 junto com outras expressões como: “não andeis ansiosos pela vossa vida quanto ao que haveis de comer ou vestir porque a vida é mais que o alimento e o corpo mais que o vestido” (22,23). Quando Jesus nos manda olhar os lírios do campo, Ele quer mostrar nosso valor natural para Deus, nossa incapacidade de fazer algo além da obra de Deus na nossa vida e nossa excessiva preocupação conosco mesmo. Preocupação que não nos fará andar nem um côvado (dois palmos) além do que está previsto na nossa caminhada de vida.

Olhar os lírios do campo significa preocupar-se com o que realmente é importante, o que tem valor eterno, que pode nos dar riquezas no céu. Que buscar o reino de Deus é mais inteligente do que passar a vida buscando bens e reconhecimento.

Olhar os lírios do campo vai nos revelar o que tem sido importante realmente para nós. Vai nos fazer refletir sobre quanto do nosso tempo, pensamos nas coisas de Deus.

Faça um teste: Quanto tempo você da sua mente se ocupa, involuntariamente, das coisas ligadas à igreja? Para ser mais específico: Você já se surpreendeu pensando em como encher os bancos da igreja de pessoas salvas por Jesus? Já se sentiu responsável por isso? Lá pelas 18h30 já veio à sua mente, que pessoas estão dando aulas de reforço escolar para não crentes, e que precisam de oração e ajuda? Às quintas à noite, assistindo TV, já teve um ataque de culpa por não estar na entrega de marmitex evangelizando os marginalizados? Já se sentiu incomodado a visitar, exortar ou animar um membro, irmão seu da igreja, que está fraco na fé e ausente? Sábado à tarde, quando você passou em frente à igreja e viu três ou quatro pessoas tentando salvar algumas crianças de uma rota certa de perdição e sentiu, pelo menos, vontade de oferecer ajuda? Você já, pelo menos pensou, em como trazer as pessoas faltantes à EBD e aos cultos? Você já chorou por ver que tão perto da igreja haja pessoas drogadas, bêbadas ou indiferentes por estarem presas por Satanás? Quando o coral parou de cantar, o que você sentiu?

Precisamos olhar os lírios do campo para ver o que realmente tem nos preocupado, porque no mesmo discurso Jesus diz: “Onde está o teu tesouro, ali está o teu coração”.

Eu te convido a Olhar os Lírios do Campo. Se não souber onde, em Ribeirão Pires tem muito.