sexta-feira, 11 de junho de 2010

PASTORAL

ESTÁ FALTANDO COELHO NAS NOSSAS IGREJAS?
Pr. Sidnei
Você sabe como acabar com uma briga de cachorros?

Se você já viu uma de cachorros, sabe do que eu estou falando. É assustadora. Muito latido, grunhido, mordidas e sangue. Se jogar água, eles se afastam por alguns instantes e logo recomeçam. Se começar a dar pauladas bater aleatoriamente, corre-se o risco de acertar e machucar qualquer um dos cães, quase sempre o menos ágil ou o mais fraco, ou os todos. O que fazer, então?

O segredo é: Solte um coelho perto da briga. Você verá que todos os cães deixarão de brigar e correrão atrás do coelho. Não precisa ficar com pena do coelho, porque dificilmente conseguirão alcança-lo.

Há uma lição interessante nesta experiência. Um foco comum acaba com qualquer desavença entre os membros de um grupo. Parece que a falta de foco concentrado leva, os que já têm uma tendência a desagregação, a colocar em prática sua busca por pelos em ovo, ou chifres na cabeça de cavalo. Alguns, até, asseguram tê-los encontrado. Discutem entre si por nada, apenas porque não têm algo mais útil a fazer.

Quando todos olham para a mesma direção, têm os mesmos objetivos, buscam as mesmas metas, o trabalho ocupa o corpo e a mente, as energias são consumidas positivamente e as pessoas são agregadas. Consequencia direta? não sobra tempo para essas bobagens.
Neste aspecto, a igreja não é diferente das outras organizações. Encontramos muitos membros gastando tempo e enrgia em desavenças entre si. Alguém dirá: é por falta de objetivos comuns. Não deixa de ter razão quem assim argumenta. O fato é que os objetivos, na maioria das vezes, estão diante de nós. Se pensarmos na nossa igreja. Nossa Declaração de Visão e Missão descreve existimos para ganhar pessoas para Cristo, discípula-las, integrá-las para que cresçam espiritualmente até se que tornem crentes maduros e que ganhem outras pessoas. Se não existisse uma Declaração escrita, mesmo assim, as palavras de Jesus seriam nosso norte.

Quando se perde o foco, começa-se a olhar para todos os lados à procura de algo com que se preocupar. Isso retarda a obra, distancia do objetivo e propicia brigas. O problema é que, às vezes, trata-se de briga de cachorro grande e ninguém tem coragem de tentar separar. Para esses casos, então, o mais ou o único recurso indicado é o “fator coelho”. Se olharem para um objetivo comum, a energia não será desperdiçada com discussões internas.

Quero encorajá-lo a, se perceber que há perto de você alguém mais preocupado com picuinhas na igreja, procurando defeitos nas coisas ou nas pessoas, falando mal da vida de alguém, torcendo para que dê errado o que ele disse que daria, mesmo que isso prejudique a igreja, solte um coelho perto dele. O coelho da evangelização, ou do discipulado, ou da restauração dos fracos espiritualmente, ou da ajuda aos necessitados. Se ele for um cão de raça mesmo, largará tudo com o que estiver brigando e correrá atrás do coelho. Se, no entanto, for um cão vira-latas, aí, meu irmão só Deus!

O que movia a vida do apóstolo Paulo era seu foco permanente. Em meio à bajulações, ele não perdia o foco. Em meio a críticas, ele não perdia o foco. Quando era torturado, ele não perdia o foco. E aconselha os Filipenses a estarem unidos em torno de um mesmo foco.

Não estou querendo dizer que já consegui tudo o que quero ou que já fiquei perfeito, mas continuo a correr para conquistar o prêmio, pois para isso já fui conquistado por Cristo Jesus.
É claro, irmãos, que eu não penso que já consegui isso. Porém uma coisa eu faço: esqueço aquilo que fica para trás e avanço para o que está na minha frente.
Corro direto para a linha de chegada a fim de conseguir o prêmio da vitória. Esse prêmio é a nova vida para a qual Deus me chamou por meio de Cristo Jesus.
Todos nós que somos espiritualmente maduros devemos ter essa maneira de pensar. Porém, se alguns de vocês pensam de maneira diferente, Deus vai tornar as coisas claras para vocês.
Portanto, vamos em frente, na mesma direção que temos seguido até agora
. (Fp. 3.12 – 16)

Fique na Paz e focado!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

PASTORAL

VOCÊ É UM SONHADOR?

E dizia um o outro: Vem lá o tal sonhador! Gn 37.19

Este versículo faz parte da história de José, curiosamente chamado de José do Egito. José não era do Egito. Os sonhos de José é que se realizaram no Egito.

José era um menino sonhador. A diferença entre outros meninos sonhadores de 17 anos era a origem dos seus sonhos: Deus!

José era convicto, mas ingênuo, uma característica dos sonhadores. Não percebia que o fato de trazer más notícias de seus irmãos e ser preferido de seu pai o tornava detestável aos olhos dos seus irmãos. Contava seus sonhos aos seus irmãos que, no princípio zombavam, depois passaram a odiar e por fim conspirar e planejar seu desaparecimento.

José estava mais preocupado com os seus sonhos do que com o que as pessoas pensavam deles, aliás, outra característica do sonhador. Seus irmãos se livraram dele. Nunca mais seriam incomodados com os sonhos absurdos de um adolescente presunçoso.

José, impotente quanto ao seu destino, não teve como se proteger dos irmãos, dos mercadores e dos egípcios. Só lhe restou proteger seus sonhos. Os sonhadores são assim. Podem tirar-lhe tudo, mas não lhe tiram seus sonhos. Circunstancias não matam sonhos e José passou de filho mimado sonhador a escravo sonhador.

No Egito, Deus era com José e tudo prosperava em suas mãos. José, entretanto, não se iludia com o sucesso que não estava nos seus sonhos, marca dos verdadeiros sonhadores. Os sonhadores não perdem o foco dos seus sonhos, nem quando a realidade parece ser melhor que eles, os sonhos.

Quando a mulher de Potifar tentou seduzi-lo, foi capaz de resistir, pois isso o desviaria dos seus sonhos. Quem tem um sonho grande dado por Deus, vive por ele, e tudo mais parece pequeno.

Quando a desgraça bateu à porta e, acusado injustamente, foi lançado ao cárcere, seu sonho o acompanhou como sua própria sombra. Um sonhador não consegue livrar-se dos seus sonhos.
Essa é a diferença entre aquele que teve um sonho e o sonhador. O sonhador sofre quando vê que seus sonhos estão cada vez mais difíceis de realizar, mas não consegue abandoná-los. Sonhos de Deus, às vezes, fazem sofrer o sonhador que se vê impotente para realizá-los.

Mas, quando Deus dá os sonhos, Ele mesmo se encarrega de fazer com que se realizem. Alguém descobriu um sonhador no cárcere, que também interpretava sonhos. Primeiro o padeiro e o copeiro e depois o próprio Faraó.

O resto da história nós sabemos. O sonho do menino sonhador se realizou. Deus mexeu no clima, na produção da terra, nas nuvens, na chuva, mas os sonhos que Deus tinha dado ao menino sonhador, Ele fez realizar. E lá estavam seu pai e seus irmãos para contemplarem a concretização do sonho do menino sonhador.

Todos nós temos sonhos, mas nem todos somos sonhadores. Os sonhadores não conseguem abandonar seus sonhos. A diferença entre o desejo e o sonho é que o segundo nunca se vai por mais que as circunstâncias sejam contrárias. Os sonhos que Deus dá, diferentes dos desejos pessoais, às vezes, causam sofrimento, incompreensões e, não poucas vezes, irritação a alguns.

A igreja foi concebida para ser um lugar de restauração e não de hipocrisia. Não é um lugar de competição de aparência de santidade, mas de demonstração da eficácia dela. A igreja são pessoas que no seu dia-a-dia vivem o evangelho de Cristo e se reúnem para serviço, edificação mútua, e louvor a Deus.

A igreja não é uma tribuna de discursos de autojustificação ou de julgamento dos outros, mas é um altar onde vidas são oferecidas a Deus. Não é um lugar de promessas de feitos mirabolantes, mas de realizações simples e discretas.

É com uma igreja assim que eu sonho. Pessoas se acotovelando para trabalhar desde as pequenas e mais anônimas tarefas, com a alegria de quem espera o galardão dos céus não o reconhecimento humano, resultado de uma consagração genuína a Deus. Este sonho tem me feito sofrer um pouco, mas eu não consigo me livrar dele. Deve haver um Egito para onde, circunstâncias, as mais temidas, me levarão e o sonho se realizará.

O Egito, para o povo de Israel, pode ter se tornado símbolo de escravidão, mas para José, o sonhador, foi o lugar onde Deus tornou seus sonhos realidade.
Você tem sonho ou desejo?

Fique na paz

Pastor Sidnei

terça-feira, 11 de maio de 2010

PASTORAL DIA DAS MÃES

E SE NÃO HOUVER AMANHÃ?
Uma reflexão para os filhos no dia das mães.

Pr. Sidnei

Acho que a maioria sabe que estive toda a semana em Tupã, interior de São Paulo. Sabe também que não foi uma viagem de passeio. Longe disso, foi a viagem mais triste da minha vida.
Fui chamado para estar com meu pai, antes que ele morresse. Essa tinha sido a informação que o médico passara ao meu cunhado e confirmou na minha chegada. Deus pode reverter todo prognóstico médico, eu creio nisso, mas naquele momento, o médico disse que seria uma questão de tempo. O quadro era muito grave.

Não quero falar sobre a doença do meu pai porque, a partir do momento que os recursos do médico se findaram, apenas começou o poder de Deus e Ele não precisa da opinião do médico para agir. Ele pode cura-lo e até ressuscitá-lo se quiser.O que eu quero compartilhar é a minha experiência olhando para o meu pai imóvel, que olhava fixo para mim como que querendo dizer algo, sem conseguir. Repeti várias vezes que o amava, que ele foi e sempre será meu herói, que é meu modelo de integridade e caráter e que só permaneci na igreja por causa do seu exemplo e perseverança e que eu teria sido muito mais feliz e errado muito menos se ele estivesse por perto nos últimos 24 anos em que eu o visitei muito pouco devido a distância.

Eu falei para muita gente e muitas vezes, inclusive na igreja, o quanto eu amava e admirava meu pai. Que ele era o homem mais sábio e humilde que eu já conheci. Citei meu pai em muitas palestras, inclusive fora do Brasil, sobre sua forma particular de viver os ensinos de Cristo. Usei meu pai várias vezes como ilustração em alguns dos meus sermões. Mas o que me intrigava diante do meu pai naquele momento é que não me lembro de ter dito isso a ele. Os irmãos da nossa igreja sabem o que eu penso do meu pai, mas eu não tenho certeza se ele sabe. É nisso que eu penso agora. Eu tentei dizer esta semana, mas não sei se ele me entendeu.

As pessoas do meu circulo íntimo, tentam me consolar dizendo que eu tenho ao meu favor o fato de nunca ter levantado a voz para meu pai, nunca ter questionado uma ordem ou ponto de vista, nunca ter afrontado meu pai e nunca ter feito meu pai chorar por tê-lo desrespeitado. Eles se esquecem do “rosbife e coca cola”. Isso entristeceu meu pai e, embora ele tenha esquecido, eu não consegui esquecer.

Pode ser uma história banal que poderia ser considerado apenas uma palavra impensada de um pré-adolescente, mas não para os pais, principalmente aqueles que têm poucos recursos e não podem atender os desejos básicos dos filhos. Uma vez eu queria rosbife e meu pai, por alguma razão, não pode comprar. Eu disse que quando eu casasse e mandasse na minha casa eu comeria rosbife e coca cola todos os dias. Meu pai ficou em silêncio. Passados muitos anos, no dia do meu casamento civil, assim que voltei do cartório, ele deu um leve sorriso e disse: “agora você pode comer rosbife e coca cola o quanto quiser”. Percebi que tinha machucado meu pai com a minha infantilidade, porque não tem nada pior do que não poder satisfazer desejos simples dos filhos.

Porque eu estou fazendo essa retrospectiva justamente no dia das mães? Não é por que? É para quem? É para os jovens e adolescentes que não medem as palavras e ofendem as mães. São ingratos e, por mais que as mães façam, parece que elas estão sempre devendo. As mães ficam noites em vigília quando os filhos estão com problemas e assim que saem da crise, desprezam a companhia, o carinho, o conselho da mãe. Qualquer namorado por mais “babaca” que seja, tem reputação melhor e conselhos mais úteis do que o da mãe.

É para esses jovens que eu estou escrevendo. Que tem perdido tempo de desfrutar do colo e da sabedoria da mãe. Que tem chorado no quarto, vociferando que não se metam na sua vida, desperdiçando o afago nos cabelos e o choro compartilhado, ou mesmo o silêncio de cumplicidade. É para aqueles jovens que acham que é “mico” dizer todos os dias que amam as mães e que dependem dela.

É o meu grito de alerta no Dia das Mães. Pode não haver amanhã para dizer tudo que você tem para dizer e que sua mãe quer ouvir. Sua mãe não vai te amar menos se você não fizer nada do que eu estou falando, mas você vai se odiar quando quiser dizer e não houver mais tempo.

Não por causa do dia de hoje, mas por causa do resto de sua vida, ame sua mãe, diga que a ama, honre-a, respeite-a, desfrute da benção de ter mãe.

É bíblico, útil, proveitoso e sobretudo, inteligente.

sábado, 20 de março de 2010

COISAS DO COTIDIANO

... E QUEM NUNCA ROUBOU ROSAS, ENTÃO, É QUE JAMAIS VAI ME ENTENDER...

Essa é a segunda frase do conto de Clarice Linspector, Cem anos de Perdão.
Nesse conto ela descreve com riquezas de detalhes, um capítulo de sua infância no Recife. Menina pobre, cuja atividade preferida era ir com sua amiguinha a uma rua de casarões imponentes e brincar de ser dona das casas. As brancas eram de uma, as coloridas da outra. Por vezes, até saiam algumas discussões sobre a real cor de determinado palacete e, consequentemente, a quem pertencia. Tudo mergulhado num sonho que parecia tão real no imaginário infantil.
Numa dessas tardes, num dos casarões, quase um castelo, ela avista uma rosa. Vermelha e perfeita. Ela olhava para a rosa e parecia que a rosa também olhava para ela como que querendo pertencer àquela criança.
A menina começou a desejar aquela rosa do fundo do coração e esse desejo se tornou num plano apaixonado de possuí-la. E assim fez. Uma tarde, enquanto sua colega vigiava, ela entrou no jardim e, ferindo-se no espinho, chupando o sangue que escorria pelos dedos, tomou a rosa e a levou. O trajeto de volta até o portão pareceu uma eternidade. Quando ela toma a rosa nas mãos e atravessa a rua, agora em segurança, é tomada de uma paixão e alegria indescritíveis. A rosa era toda dela. Poderia cheirar o seu perfume até desmaiar e olha-la quantas vezes quisesse.
Ela termina o conto dizendo que quem rouba rosas e pitangas que apodreceriam no pé, senão fossem apanhadas, tem cem anos de perdão.
Obviamente a autora não está fazendo uma apologia ao roubo. Nem de longe. É a forma de dizer que ninguém poderá jamais saber o sentimento de alguém, principalmente de uma criança, se nunca passou por situação semelhante.
Quando leio esse conto, penso em coisas espirituais. Penso em como, às vezes, prego com tanta convicção e entusiasmo sobre alegrias da vida cristã e algumas pessoas recebem a mensagem como mais uma informação que deve ser entendida e armazenada. Existem coisas na vida que não se consegue transmitir a emoção pela informação. Algumas verdades bíblicas podem ser pregadas pelo orador mais eloqüente e com os maiores recursos homiléticos que não passarão de informações, até recebidas como verdades, mais sem produzir resultados efetivos.
Dois exemplos bastam para ilustrar o que defendo: Ganhar uma alma para Cristo. Quem nunca viu alguém, visivelmente aprisionado por Satanás, ser liberto pelo poder do evangelho através do seu testemunho, nunca saberá qual o prazer que isso dá. Ver alguém que caminhava a passos largos para o inferno, depois de ser-lhe apresentado as boas novas de salvação, render-se aos pés de Jesus. Quem já passou por essa experiência, experimentou um gozo quase celeste por alguns minutos. Quem nunca ganhou uma alma para Jesus, só sabe teorizar sobre o “Ide” de Jesus, mas sem a sensação dessa recompensa.
Outro exemplo é a contribuição generosa. Não dá para explicar o que se sente quando se doa liberalmente e com generosidade. É uma alegria que parece que se ganhou uma grande fortuna. Mas quem dá murmurando, com mesquinharia, daquilo que sobra, como se fosse uma obrigação, vai ficando cada vez mais pobre de sentimentos e de sensibilidade.
Não dá para explicar como é ganhar uma alma para Jesus. Tem que passar pela experiência. Assim como não dá para garantir felicidade ao contribuir àquele que não o faz com alegria.
Clarice Linspector, já falecida, não pode me impedir de parafrasear seu conto: Quem nunca doou com generosidade e liberalidade não vai entender. Quem nunca ganhou uma alma para Jesus, então, esse é que jamais vai me entender.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

COISAS DO COTIDIANO

IOGURTE OU FERMENTO?

Você sabe fazer bolo? Cada um tem uma receita especial e acaba por ficar conhecido pelo sabor do seu bolo. Se eu mencionar alguns tipos de bolo, você logo saberá quem é a especialista. Se eu falar em bolo de coco, quem te vem à mente? Ou bolo de fubá com erva doce? Ou ainda bolo de iogurte? Bolo de chocolate trufado? E bolo de chocolate com rum?

Fazer bolo é uma arte. O bolo torna qualquer bebida mais nobre: do café à champanhe. Uma festa de casamento não terá graça se não houver o bolo da noiva. Nenhuma criança se contenta com festa de aniversário, se não cantar parabéns em volta do bolo. O bolo é a celebridade da festa. É o bolo que determina que horas vamos embora de uma festa – após cortar o bolo. Se já comemos bastante e não cabe o bolo, não temos vergonha de levar para casa. Eu, sempre que a Sandra não está na festa, peço um pedaço de bolo para ela, para poder comer mais um pedaço em casa. Bolo é maravilhoso.

Quando você vê um bolo, em que você pensa? No bolo, você me responderá. E está certo. Ninguém come um bolo pensando no fermento, na farinha, nos ovos, no óleo ou outro ingrediente qualquer. Pensamos e saboreamos o bolo.

Assim é a vida cristã em comunidade é como um bolo. Um bolo onde cada pessoa é um ingrediente. Alguns têm um sabor até suportável isoladamente. Caso do leite, do iogurte, do açúcar. Outros, no entanto, nem se cogita em saboreá-los individualmente. Nunca soube de ninguém, em sã consciência, que gostasse de comer fermento cru, ou farinha de trigo, ou fubá. Há alguns malucos que bebem ovos crus, mas prefiro não comentar, pois me embrulha o estômago.

A vida Cristã é assim também. Somos ingredientes de um bolo chamado igreja. Isoladamente não somos todos saborosos. Alguns são como iogurte, apreciado separadamente. Outros, contudo, são como fermento. Se não for usado em conjunto com outros ingredientes nunca sairá da despensa. Nunca será alimento, nunca será sobremesa, muito menos o prato principal. Sozinho ele não é ninguém. Ninguém o percebe no armário, ninguém o coloca na mesa do café; nem o usa para enfeite. Um fermento nunca chegará ao status de iogurte.

Mas há uma verdade inquestionável acerca desses dois ingredientes: O iogurte torna um bolo mais saboroso, mas é o fermento que torna uma massa, bolo. Não há bolo sem fermento.

Talvez você, como eu, já tenha se sentido fermento. Não é oferecido às visitas, não é convidado para a mesa de refeição, fica no fundo do armário e só se sente a sua falta quando vai fazer bolo. Anime-se, o bolo só será bolo se você estiver presente.

Deus nos vê assim. Nem todos são admirados pelas pessoas, nem todos estão em evidência. Nem todos são, isoladamente, populares. Alguns, até, causam certa repulsa pelas suas características, mas, se fazem parte da receita do bolo, farão a diferença quando se juntarem a outros.

O bolo é algo saboroso, ainda que seus ingredientes, separadamente não o sejam. Isso não importa, porque fomos chamados para servir na igreja e torná-la o melhor bolo do mundo. A igreja foi colocada por Deus neste lugar para ser o bolo que todos apreciem, mesmo que nem todos os ingredientes, fora do bolo, sejam assim tão saborosos.

Iogurte ou fermento, eu quero é estar no bolo. Posso não ser estrela, mas sou necessário.

Bem vindo ao bolo

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

COISAS DO COTIDIANO

“VIVER POR NADA OU MORRER POR ALGUMA COISA”

Esta frase poderia ser um aforismo de um escritor inglês (que até o fechamento desta edição não tinha conseguido lembrar o nome) especialista nessa forma literária. Foi dita, no entanto, pelo “grande filósofo” Rambo, personagem inverossímil de Silvestre Stalone.

Seus filmes são tão exagerados que a carnificina chega mais perto de comédia pastelão do que drama de guerra. Mas, crítica cinematográfica à parte, o roteiro, pelo menos no Rambo II, III, IV e outros se houver, segue uma linha interessante. O Rambo está sempre no ostracismo, procurando viver como um cidadão pacato num país de quarto mundo, mas surge uma necessidade que o impele a despertar seu instinto soldado guerreiro “made in USA” e agir dando sentido à sua vida.

Quinta feira, enquanto esperava o jantar, eu assisti “Rambo IV”. Neste filme, umas aldeias de indefesos cidadãos estavam sendo dizimadas por um exército genocida, e uns missionários, que foram ajudar os aldeões, foram feitos, também, prisioneiros. O Rambo queria continuar sendo apenas um barqueiro, mas quando viu as pessoas morrendo e os soldados contratados para salva-las querendo desistir diante do poderio do inimigo, não pode fechar os olhos à necessidade de agir. Por isso ele é o Rambo.

Por mais inverossímil que seja o personagem, por mais exageradas que sejam as cenas e, por mais piegas que sejam as frases do herói em questão, no fundo gostaríamos de ser o Rambo, principalmente porque ele sempre salva as pessoas e nunca morre. Ainda que saibamos que ele só adota a filosofia de que não vale a pena viver, covardemente, uma vida segura, mas sem sentido; porque ele sabe que não vai morrer – porque Rambo nunca morre - sentimos uma pontinha de inveja.
No fundo, cada um de nós gostaria de ser um Pastor-Rambo ou um Diácono-Rambo ou um Crente–Rambo. Ser impelido, pela necessidade, a sair do ostracismo e salvar o maior número possível de pessoas aprisionadas por Satanás, mesmo que corra risco de morte.

Sabe o porquê dessa projeção de herói no Rambo? É porque nosso subconsciente sabe que, no evangelho, é uma possibilidade real esse estilo de vida. Aliás, essa filosofia do Rambo é uma paráfrase de Paulo: “...vou para Jerusalém sem saber o que vai me acontecer, exceto o que o Espírito já me antecipou: prisões e tribulações. Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra o ministério que recebi do Senhor Jesus...” (At 20.22 – 24)

A gente ri, mas sabe que o Rambo tem razão. Não vale a pena viver por nada, sem se sensibilizar com o aprisionamento espiritual dos que estão próximos e que vemos todos os dias. Não vale a pena viver uma vida sem propósito, sem utilidade. Parece que nada nos tira da mesmice, do anonimato, do ostracismo. É como se fôssemos tele transportados de casa para a igreja e vice-versa. Não vemos nada no caminho, não sentimos compaixão, nada nos incomoda. Somos como zumbis, alheios à necessidade do mundo. De que vale morrer de velhice com esse estilo de vida?

Olhe para você! Como você tem vivido? Você consegue saber que, no mundo, a cada vez que você inspira e expira, quatro pessoas morrem e vão para o inferno, e não sair do seu estado zunbí? Você consegue olhar para as pessoas do seu bairro, sua escola, seu trabalho, aquele que te dá bom dia, que te vende o pão com um sorriso, sabendo que estão indo para o inferno e continuar como se nada estivesse acontecendo. Isso é viver por nada. Não correr riscos e chegar vivo aos cem anos com esse estilo de vida será vergonhoso.

Desperte o Rambo que há em você! Dê sentido à sua vida. Salve prisioneiros de Satanás. Invada o inferno porque, como no roteiro do Rambo, nosso final já está escrito: As portas do inferno não prevalecerão conta a igreja do Senhor.

Você não precisa morrer por algo (ainda). Basta viver por algo. Dê sentido à sua vida. Viva intensamente a vida cristã. As pessoas salvas do aprisionamento é que dão emoções à vida do crente. Viver cem anos sem essas emoções, não sei se vale a pena.

Fique na Paz
Pr. Sidnei (ainda recruta, mas chega lá)

sábado, 3 de outubro de 2009

PASTORAL - 27 DE SETEMBRO

UM DIA A CASA CAI!
A expressão "a casa caiu" que é uma gíria policial usada para definir quando um bandido é pego, descoberto o seu esquema e não há mais como negar sua culpa, aconteceu literalmente nesta quarta feira em Santo André. Uma casa explodiu mandando outras casas, carros e uma oficina mecânica, também literalmente, para o espaço.

Tudo estava quieto, não se sabe ainda se era apenas uma loja de fogos de artifício ou uma fábrica clandestina com depósito de pólvora e outros explosivos. O fato é que a casinha escondida tornou-se manchete nacional. Imprensa do mundo todo estava representada no local da tragédia. Imagens aéreas mostravam uma área devastada como um cenário de bombardeio.

Depois que a casa caiu descobriu-se que a licença para venda de fogos tinha sido negada e que se realmente fosse um depósito ou lugar de manufatura e manuseio de material explosivo, precisaria haver uma licença do Ministério de Exército, que também não tinha. Agora já se sabe o nome e sobrenome do proprietário e onde mora. Foi publicada sua foto, vasculharam a sua vida e descobriram, também, ele já fora preso por porte de explosivo, mas, por alguma razão, seu processo foi arquivado.

Agora se apresentou à polícia, ironicamente, ainda não como investigado. Sua vida está de cabeça para baixo. Todo mundo de deu o direito de investigar e, quanto mais procuram, mais acham. Eu imagino o sofrimento desse rapaz. Conhecemos bem a sequencia das notícias. Primeiro, apenas testemunha, depois homicídio culposo, as investigação continuam e a promotoria já pensa em processo por dolo eventual e, por fim, homicídio doloso. Logo retorna às primeiras páginas dos jornais. Morreu seu primo, sua empregada, destruiu propriedades de pessoas inocentes e tudo isso vai ficar martelando a sua cabeça.

Sua vida foi exposta quando a casa caiu. Nunca saberíamos da existência desse rapaz, nem dos erros que, eventualmente, estava cometendo se a casa não tivesse caído, mas caiu, aliás, antes de cair, explodiu.
Este fenômeno me faz refletir em quantas atitudes ilícitas as pessoas têm feito no oculto sem que ninguém, sequer, desconfie. Quanta coisa errada não é feita na certeza de que ninguém nunca vai descobrir. Quantos pecados são cometidos por anos a fio e nem a igreja, nem o pastor e nem a família sabem. Mas um dia, um acidente acontece, um erro de cálculo, um excesso de confiança, um vacilo e puff .... a casa cai.

Quando a casa cai a exposição é maior, a vergonha é maior, qualquer um se vê no direito de investigar nossa vida. Todos os nossos segredos são revelados. O mais incrível é que Deus, depois de insistir conosco, no particular, para confessarmos e abandonarmos o pecado, sem que demos ouvido a Ele, permite que nossa casa caia e tudo venha ao conhecimento público para ver se assim, mudemos de atitude.

Quando aplico uma prova na faculdade, eu brinco com os alunos dizendo que não tentem colar e escrevo Números 32.23 no quadro. E se não fizerdes assim, eis que pecaste contra o Senhor: porém sentireis o vosso pecado, quando vos achar.

Antes que isso aconteça, antes que nossa casa caia (ou exploda) vamos nos acertar. Não existe impunidade para Deus. Não existe nada oculto para Deus. E não há criatura alguma escondida diante dEle; antes todas s coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar. (Hb 4.12)

Se existe algo que esteja sendo feito às escondidas na certeza de que nunca será descoberto, lembre-se que aquela casinha, escondida entre muitos prédios, tornou-se manchete no dia em a casa caiu.

Acertemos nossa vida oculta antes que a nossa casa caia.
Fique na Paz
Pr. Sidnei