quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

CONVERSA COM A ALMA


Quando eu era menino, ouvia sempre a minha mãe usando a expressão: “estava falando cá com meus botões”. Eu nunca soube bem o que isso queria dizer, principalmente porque poucas vezes minha mãe usava roupas com botões.
O tempo vai passando, a gente vai crescendo e os problemas vão chegando. Os problemas de gente grande geralmente deságuam na alma e lá se instalam. Como a alma é bem escondida, a gente deixa o problema lá até que ele já não nos incomode mais. O problema é que quando ele deixa de nos incomodar paramos de pensar nele, a partir daí ele começa a provocar doenças na alma que também não vemos, mas sentimos seus efeitos.
O salmista Davi diz em um de seus salmos: Porque está abatida ó minha alma por que está aflita dentro em mim? Confia em Deus. Parece que ele está meio decepcionado com sua alma como se ela fosse um ente fora dele, como os botões da conversa da minha mãe. Em outro salmo, no entanto, ele parece estar efusivamente disposto a motivar sua alma a louvar ao Senhor. Ele diz no Salmo 103: Bendize ó minha alma ao Senhor e tudo o que há em mim bendiga o seu Santo Nome. Bendize ó minha alma ao Senhor e não se esqueça de nenhum de seus benefícios.
O pastor Rubem Amorese num de seus livros sobre adoração recomenda que tenhamos um encontro com a nossa alma em algum lugar solitário que ele chama de “o quarto”. Ele sugere um encontro a três. Nós, nossa alma e Deus. Uma alma ferida adoece o corpo todo. Isto está na bíblia, mas nós não acreditamos, ou pelo menos agimos como se não acreditássemos. Uma alma ferida não se cura com o tempo. É como um prato com restos de comida que guardamos junto com os pratos limpos. O tempo não vai limpa-lo, os detritos vão apodrecer e o clima ficará insuportável. Nossa alma é assim. A bíblia diz que devemos tratar da nossa alma, mas insistimos em acreditar e praticar o provérbio que diz que o tempo cura tudo.
Nós abandonamos nossa alma e colocamos a culpa da nossa doença nos outros. Nós fugimos de conversar com nossa alma e nos defendemos dizendo que as pessoas não nos ouvem, quando nós não ouvimos o grito das nossas almas. Uma alma ferida precisa ser tratada. É na alma que nascem os sentimentos mais nobres, mas também os mais vis e torpes. A doença da alma mata silenciosamente e atinge todos à volta, primeiramente aqueles a quem amamos. Damos-nos o direito de derramar nosso fel sobre eles e exigimos, como prova de amor, que tenham os mesmos sentimentos amargos que nós, mostrando assim a solidariedade que precisamos. É um ultraje, mas uma alma doente não percebe isso.
As doenças da alma devem ser curadas na alma. Não adianta tentar curar os sintomas nem mascarar as causas. É preciso uma conversa a três. Trate sua alma como alguém, fora de você, que está precisando de cuidados urgentes. Converse com ela, extraia dela tudo que a tem adoecido e peça para Deus curar. Davi no verso 3 do salmo 103 diz para sua alma: É Deus quem perdoa todos os seus pecados e cura todas as suas doenças. Só Deus pode curar as feridas da nossa alma, mas é preciso conversar com nossa alma e descobrir, com a ajuda do Espírito Santo, o que está deixando nossa alma doente.
Tenha uma conversa séria com a sua alma. Isso é urgente. Nossa alma faz-nos pensar acerca de nós de maneira embaçada. E a bíblia diz que assim como o homem se imagina, assim é. Você é mais e melhor do que pensa de si mesmo. Converse com sua alma na presença de Deus que a coisa vai melhorar.
Boa conversa!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O PAI DA NOIVA - O dilema de ser politicamente correto.

Teria sido eu o único a chorar ao assistir a comédia “O Pai da Noiva”? Como pode alguém chorar numa comédia, principalmente com Steve Martim? Eu posso. Eu pensava em como me comportaria quando chegasse a minha vez e, por mais que eu tenha implorado para que não chegasse, chegou.

Eu sei que o comum nessas horas é ser politicamente correto com frases do tipo “eu não perdi uma filha, ganhei um genro”. Não é verdade, eu estou ganhando um genro sim e, diga-se de passagem, um excelente genro (dentro do que é possível a um genro), mas também estou perdendo a minha filhinha e ninguém pode dizer o contrário. Não serei mais eu quem vai curar suas feridas ou ficar com ela deitado no chão do quarto olhando as estrelas do teto que refletem no escuro  até que ela se acalme. Quando ela tiver pesadelos minha cama não estará mais a poucos passos, no final do corredor, para que ela termine a noite, segura, entre eu e a mãe dela. Então não me venham dizer que eu não perdi a minha filha, pois não é verdade. Ela continuará sendo, como sempre foi, uma de minhas melhores amigas. Vai me defender com unhas e dentes, como sempre fez, mas não será mais o meu bebê.

Não é possível que os pais que casam suas filhas realmente pensam aquilo que falam. Esta eu ouvi de um colega, cujo filho estava se casando e com planos de mudar-se para o exterior. Quando eu perguntei como ele suportava duas cacetadas ao mesmo tempo, ele respondeu com serenidade: “Nós geramos filhos para a vida”. Confesso que fiquei com uma ponta de inveja pela fibra do meu amigo. Gostaria de pensar assim, mas não penso. Esse deveria ser o meu discurso agora, mas eu me dou o direito de dizer que a vida levou meus dois filhos mais velhos sem a minha autorização e agora vai fazer o mesmo com a minha caçula.

Muitas pessoas dizem que não se prepararam para ficar sem os filhos e que quando o último filho casou, não sabiam mais viver apenas como casal. Eu desenvolvi um relacionamento com a minha esposa em que realmente gostamos de ficar sós. Não colocamos nossos filhos acima do nosso relacionamento conjugal durante esses nossos quase trinta e três anos de casamento. Preocupamo-nos até agora com a segurança e o bem estar deles, mas nunca fizeram com que esquecêssemos de que éramos um casal. Agora, no entanto, parece que isso vai fazer falta no cômputo das horas de convivência. Precisaria de um pouco mais de tempo para curtir os filhos. Não é “mea culpa”, mas talvez seja bom escrever, para no caso de algum deles ler meu texto, se sentir bem.

O politicamente correto nesta hora é olhar para tudo de bom que você ajudou a conquistar. Os três filhos são formados na universidade e bem encaminhados profissionalmente. A caçula, a noiva em questão, tem posições ministeriais muito convictas. É comissária de bordo aprovada na ANAC, mas trabalha como professora de português e literatura na escola mais violenta de Santo André. Parece o filme do Morgan Freeman. Faz isso por duas razões, uma para poder estar na igreja todo fim de semana e outra para fazer capelania escolar e salvar algumas crianças e adolescentes da marginalidade. Essas decisões me enchem de orgulho (e de contas). Na prática meu sentimento é outro. Não sei se outros pais têm o mesmo sentimento, mas eu só consigo me lembrar do que eu não fiz. Sinto que não a protegi o suficiente. Que quando ela me dizia que não era para eu me envolver que ela resolveria, eu deveria ter ignorado sua voz e ouvido a sua alma. Vem-me à mente, as vezes em que, atendendo ao seu pedido, deixei que ela chorasse sozinha trancada no seu quarto. Acho que nessa hora, as coisas que deixei de fazer pesam mais do que as que eu fiz. Não sou depressivo (pelo menos não diagnosticado), apenas me dou o direito de não ser o pai da noiva politicamente correto.

O tempo passa muito rápido e nessas horas  a correria e a euforia para os preparativos só me aborrecem mais. Parece que o Cosmos conspira contra mim. Entrou no ar um comercial de companhia de seguros que mostra um pai com uma criança e o narrador falando das coisas que você não pode evitar que aconteça na caminhada de sua filhinha. Não era hora de lançar este comercial!

Como o blog é meu, eu me dei o direito de não ser politicamente correto nos meus comentários sobre a experiência de ser o pai da noiva. Alguns vão estranhar, outros  certamente vão discordar (dos comentários, não dos sentimentos), mas alguns serão honestos e farão coro comigo. Ser pai da noiva dói!

Dia 11 de fevereiro, no entanto, estarei lá. No altar, junto com a minha rainha, ao lado da minha princesa. Estarei sorrindo, feliz pela felicidade dela. A entregarei ao noivo para que cuide dela dali para frente, com a certeza de que Deus fará parte desse casamento. Como pastor, não tenho dúvidas de que casamento é uma invenção de Deus, como crente, confio que tudo dará certo porque ambos fizeram tudo em oração. Mas que ninguém se engane quando me vir sorrindo...

Sou o pai da noiva

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

ENTENDES O QUE VÊS?

ENTENDES O QUE VÊS?
Uma reflexão sobre a “Babel” da pregação televisa e seus reflexos no cotidiano batista.

“Entendes o que vês” tem uma semelhança sonora com a pergunta que Felipe fez ao eunuco quando este lia o livro de Isaias, sozinho, enquanto sua carroça caminhava. Ao perguntar ao empregado da rainha “Entende o que lês?” a resposta foi imediata: “como poderei entender se alguém não me ensinar”. Ele pediu a Felipe que subisse no carro e explicasse as Escrituras.
Temos, neste episódio, um homem bem intencionado, interessado nas coisas de Deus, mas sem as condições mínimas de conhecimento para discernir, sequer, de quem o profeta falava. Para sorte desse homem, Felipe fora enviado por Deus para encontrá-lo e mostrar o sentido da Palavra de Deus. Infelizmente, não temos tido a mesma sorte com aqueles que ocupam longas horas na televisão, colocando-se na posição de Felipe, com a pretensão de interpretar a bíblia para o povo que os assistem.
A Babel está formada. Esses homens já não se contentam apenas em usar textos isolados da Palavra de Deus para apoiar seus pontos de vista, quase sempre tendenciosos, ou sua doutrina. O tempo disponível é tanto, que ainda dá para usar a Palavra para acusar seus concorrentes ou defender-se deles para garantir o disputado mercado dos contribuintes, auxiliares, associados, gideões, parceiro fiel, colunas e outros adjetivos. A Palavra de Deus serve apenas como um apoio sagrado à idéia de que o investimento no seu ministério é o que tem o retorno mais garantido.
A que atribuir tamanho desvio dos propósitos do texto? Poderíamos considerar como o fenômeno da heresia involuntária, por não entenderem o que lêem? Penso que nem o mais longânimo dos críticos daria o benefício desta dúvida a esses pregadores. Parece-nos que, deliberadamente, a idéia é trazer confusão na mente daqueles que, não satisfeitos com os poucos minutos que desfrutam da mensagem na sua igreja, complementam sua jornada espiritual, como que tentando mostrar para Deus que não vai aos cultos de oração e estudo bíblico, mas gastam horas em frente à TV ouvindo o dissidente do dissidente que formou seu próprio império eclesiástico do qual ele é o sumo pontífice e do qual ninguém ousa discordar.
Tornou-se um vício. As pessoas começam com Silas Malafaia e RR Soares. E não há quem diga que nunca foi abençoado, pelo menos uma vez, ao ligar a TV na madrugada e ouvir um homem aos gritos pregando. Aos poucos, no entanto, uma mensagem, teologicamente moderada, e que trata de vida cristã já não satisfaz e o membro passa a consumir pequenas doses dos pregadores clonados da IURD e só acorda no domingo com o grande culto no templo maior ouvindo o próprio Edir Macedo. Mas um viciado é um viciado e ele começa a ter suas rotinas de consumo alternando Record e Rede Gospel com precisão suíça de horário. Estevam e Sônia Hernandes estão num patamar de consumo mais restrito, pois só são encontrados na TV paga. Isso atenua os efeitos em algumas igrejas. Mas como escapar do Waldomiro? Ele é encontrado em todo lugar a todo o momento. Conheço pessoas que consomem, no mesmo dia, doses elevadas de Waldomiro associadas com Sônia Hernandes.
Você conhece a estória do sujeito viciado em cachorro quente que um dia pôde comer o quanto agüentasse? Pois é, ele comeu vinte sanduíches e começou a passar mal. Alguém lhe disse “tome um sonrisal que melhora”. A resposta foi. “Se houvesse algum espaço no meu estômago eu comeria mais um cachorro quente”. Pois é, quando chega a hora de ler a bíblia, ir a um culto no lar ou mesmo assistir o programa do Pr. Kenji ou de ver Hernandes Dias Lopes não há espaço para mais nada. A mente está sobrecarregada com overdose de pregação televisiva massificada.
Qual o reflexo imediato disso nas nossas igrejas?
Começa, como já dissemos, pela sensação de saciedade espiritual. Como quem comeu um quilo de salgadinho de isopor.
Ato contínuo, o abandono da leitura sistemática da bíblia. Afinal, já vem tudo pronto e “interpretado”.
Aos poucos esses pregadores que ocupam canais e horários permanentes passam a ser os pastores virtuais desses consumidores compulsivos. Eles são a referência de fé, de prosperidade, de entusiasmo, de perseverança.
Um pouco mais e reflexos se estendem ao ambiente da igreja. O pastor local já não é tão eloqüente, a igreja não tem tanta gente, não se dá notícias de tantos milagres, ninguém fica milionário da noite para o dia, algo está errado na igreja.
Passa então para as crises existenciais. Por que o pastor da TV prospera tanto e o nosso pastor continua com seu fusquinha?
Não há problema em ver programas evangélicos na TV. Ainda é melhor do que ver novelas e pornografia. A grande preocupação é: Entendem o que vêem? São mensagens antagônicas. São discursos excludentes. Se você acredita em um, não pode aceitar o outro. O excesso de pregação triunfalista, sem cruz, sem santidade, sem amor ao próximo, fez com que as pessoas, antes criteriosos em suas escolhas, perdessem completamente o senso crítico. Consomem tudo, aceitam tudo, acreditam em tudo. Como diria minha mãe: acendem uma vela para Deus e outra para o diabo.
O óbvio não tem sido visto. A pregação vai na contra-mão do ensino de Jesus. A vida de aparência no palco, parecendo que tudo está sempre bem debaixo de uma “cobertura apostólica” que eu não sei de onde vem. A prosperidade dos líderes religiosos atesta sua pregação. Essa prosperidade, no entanto, vem das ofertas dos seguidores-consumidores fiéis. Que não percebem que é uma simples transferência de fundos.
As pessoas não estão entendendo o que vêem, mas estão consumindo. Talvez se entendessem, não veriam. Se cabe uma sugestão, gaste esse tempo lendo a bíblia, orando, visitando um enfermo, participando de um pequeno grupo de comunhão, grave o sermão do seu pastor e ouça várias vezes, leia um livro, ouça boa música cristã. Faça algo diferente edificante.
Não estamos fechados ao fato de Deus usar qualquer um desses pregadores para falar conosco – lembre-se de Balaão. Mas se a mensagem começar a tomar um rumo do tipo Deus está só nesta igreja, ou você pode tudo sem mudar nada, não há problema com o pecado porque Cristo já pagou na cruz, pule fora. Assista o “Chaves” que, pelo menos, tem sempre uma lição moral no final.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

IRONIAS DO DIA DOS PAIS

Ontem fez um ano que enterrei meu pai. Ironicamente na hora do almoço do dia dos pais.

Pela distância de 550 km e pelos compromissos de pastor , os últimos anos foram ausentes de toda celebração de família. Natal, Ano novo, Aniversários e, claro, Dia dos Pais se resumiram a telefonemas de felicitações. As visitas eram sempre nas férias. É muito pouco para quem deve tanto aos pais.

Meu primogênito, que hoje tem trinta anos, nasceu numa sexta-feira que antecedeu o dia dos pais. Minha esposa ainda estava no hospital e eu já recebia meu primeiro presente do dia dos pais na igreja. Nunca me esqueci. Foi um pente (que hoje não serviria para nada) e um lenço (que é o que eu mais preciso hoje). Nunca me senti tão importante.

Vinte e nove anos depois, no aniversário do meu filho, eu que não pude estar com meu pai nos últimos vinte "Dia dos Pais", deixei tudo, viajei e estava ali para enterrá-lo. Nunca me senti tão inútil.

São ironias, mas nem todas do destino. Se eu não tive influência em ser pai tão perto do dia dos pais, tive em só estar perto do meu pai naquele dia dos pais em especial.

Não haverá um amigo na terra igual ao Seu Arlindo, mas ainda há outros e eu estou descobrindo a duras penas que o tempo não para, estando perto ou longe. Que os anos ficam mais curtos quando a gente envelhece e que uma perda dói muito mais quando se perdeu tempo não estando junto.

Ainda tenho mãe, irmãs, esposa, filhos noras e netas. Tenho bons amigos espalhados por aí que, teimosamente, vejo pouco. Que a misericórdia de Deus me permita aprender a desfrutar de suas companhias por muito tempo.

Um escritor brincou, uma vez, dizendo que suas melhores idéias foram roubadas por aqueles que viveram antes dele. Digo isso de Fernando Pessoa que me roubou as palavras que eu queria dizer nesse Dia dos Pais sem meu pai. Meu melhor amigo.

Ao meu grande amigo

"Um dia, a maioria de nós irá se separar.

Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora,
as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos,
dos tantos risos e momentos que compartilhamos.

Sentiremos saudades até dos momentos de lágrimas,
da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano,
enfim... do companheirismo vivido.

Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
Hoje, não tenho mais tanta certeza disso.

Em breve, cada um vai para um lado, seja pelo destino,
ou por algum desentendimento, e seguirá a sua vida.
Talvez, continuemos a nos reencontrar, quem sabe...
através dos e-mails trocados. Podemos nos
telefonar, conversar algumas bobagens...
Aí os dias vão passar, meses. anos...
até este contato, tornar-se-á cada vez mais raro.
Vamos nos perder no tempo...

Um dia, nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão:
'Quem são aquelas pessoas?'
E, diremos... que eram nossos amigos. E...
isso vai doer tanto!
Foram meus amigos, e foi com eles que vivi
os melhores anos de minha vida!
A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...
E quando nosso grupo estiver incompleto...
nos reuniremos para um último ADEUS de um amigo.
E entre lágrimas, nos abraçaremos.
Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante.
Por fim, cada um vai para o seu lado, para continuar a viver a sua
vidinha isolada do passado... E nos perderemos no tempo...

Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo:
não deixes que a vida
passe em branco, e que pequenas adversidades,
seja a causa de grandes tempestades...

Eu poderia suportar, embora não sem dor,
que tivessem morrido todos os meus amores,
mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!"

Fernando Pessoa


sexta-feira, 29 de julho de 2011

Moçambique - Siluvo

Em Siluvo os moradores apreciam comer ratos. Insistem que esses ratos são do mato e que são limpos.
Eu optei por comer mandioca

Moçambique - Siluvo

Casa típica da aldeia. Varas, pedras e revestidas de barro.

Moçambique - Siluvo

Por ser uma região afastada, a maioria fala o dialeto sena. Os jovens da igreja de Dondo ajudam o missionário conduzindo os estudos para aqueles que não falam português e ajudando na interpretação das mensagens. O jovem de roupa clara é o Felizardo que me interpretou na ministração da Palavra.

Moçambique - Siluvo

Siluvo é uma aldeia com construções bem primitivas. Há uma congregação com vários irmãos. Estivemos ministrando estudo bíblico indutivo em português. Os grupos separados ao fundo estão estudando na língua sena.

Moçambique - Continuação

Saída dos alunos da escola em Mafarinha

Visita à Moçambique (continuação)

Bairro da Mafarinha

Irmãos da América do Norte que doaram suas férias para construir um play garden na Escola El Shadai, um trabalho da Igreja Batista de Dondo.
Esta sendo concluída uma escola de altíssimo padrão em relação às demais, o que favorecerá o afluxo de crianças.
Este projeto visa evangelizar crianças e pais

quarta-feira, 13 de julho de 2011

VISITA À MOÇAMBIQUE

Os alunos.
Em primeiro plano um jovem que veio da província de Inhambane com mais três companheiros. Inhambene fica cerca de mil kilômetros de distância.

Aulas no Instituto Batista da Beira, na Província de Sofala - Moçambique.
A presença máxima foi de 62 participantes. O curso intensivo foi de duas semanas às noites. Patriciparam: Professores o Reitor o Reitor assistentes, alguns professores, alunos e convidados.
O assunto foi Exposição Bíblica

quinta-feira, 2 de junho de 2011

PARA QUE SERVEM AS VITÓRIAS?

Eu quero trazer à memória aquilo que me dá esperança.

Permitam-me contar um exemplo pessoal sobre o sabor da vitória. Eu volto no tempo e vejo meus dois filhos ainda na escolinha do Handebol do Tamoyo. O Lucas, bem menor que o Thiago e ambos com características esportivas bem distintas um do outro. O Lucas, muito rápido, atacava e defendia numa velocidade espantosa. Por ser canhoto e de baixa estatura era muito difícil impedir suas fintas de corpo. O Thiago jogava mais cadenciado, mais pelo meio, só atacava na certeza. Finta de braço, mudança de direção e potência no arremesso eram suas especialidades.

Para quem não conhece o fim da história, pode imaginar dois craques que hoje são jogadores bem sucedidos em times do exterior, colecionadores de troféus e medalhas. Ledo engano. Sempre jogaram em time pequeno e, pelo menos nos jogos que eu assisti, e que foram muitos, quando tinham entre 12 e 16 anos, poucas vezes os vi saírem vitoriosos contra equipes tradicionais do Handebol. Essas poucas vitórias, no entanto, valia a pena pela felicidade que ela produzia. A esperança renascia e a expectativa que na próxima poderia acontecer outra vitória e a confiança aumentava.

Nas derrotas, da arquibancada, eu sofria junto e tentava consolá-los, mas nessas horas não há palavras que consolem um pré-adolescente e um adolescente. A técnica do time gritava o tempo todo com o time e minha esposa, obviamente, queria bater nela.

Após cada jogo, ganhando ou perdendo eles iam para casa e curávamos suas feridas no corpo e no orgulho. Eu cheguei a pensar: para que serve tudo isso? Tanto treino, tanto empenho, tanta luta para nada?

Só muitos anos mais tardede eu percebi que, independente do número de derrotas ou vitórias, eles aprenderam a lutar sem desistir até o último minuto da partida e que quanto maior a luta mais doce é o sabor da vitória.

Hoje são pais de família. Lutam diariamente contra os males do nosso tempo. Incertezas quanto ao futuro dos filhos, dificuldades financeiras, busca do seu espaço profissional, pressões e opressões espirituais, liderança familiar e outras batalhas que todos nós bem conhecemos. Algumas vezes perdem, outras ganham. O que me conforta é que já aprenderam que, assim como uma partida é apenas parte de um campeonato mais longo, as derrotas ou vitórias em determinados momentos da vida, fazem parte de um plano maior de Deus e que o prêmio maior não será pelo resultado de cada partida, mas pela forma como foi jogado todo o campeonato.

Na vida, continuamos na arquibancada, eu e a minha esposa, como há muitos anos. Podemos torcer, mas não podemos jogar. Podemos nos irritar e até gritar com quem faz uma falta violenta, fazendo um deles sofrer, mas não podemos entrar em quadra. Podemos dar nossos palpites, como torcedores, mas sabemos que, muitas vezes, pelo barulho do ambiente e pelo calor da partida, nem ouvirão. O que sentimos falta é de voltarem para casa podermos curar suas feridas como quando eram crianças. Hoje são eles quem têm que cuidar dos seus.

Somos pais como tantos outros. Que apenas torcem para que seus filhos nunca percam e esperança e a tenacidade. Para que lutem até o final e que tragam na mente o último resultado positivo, que ainda sintam o doce sabor da vitória, sabendo que Deus poderá repeti-lo muitas outras vezes, se continuarem lutando. O profeta Jeremias sabia muito bem usar sua memória seletiva. À sua mente ele trazia aquilo que lhe dava esperança.

Aquele tempo foi bom para que eu aprendesse qua a vitória existe, não para tripudiar sobre o adversário vencido, mas para servir de esperança quando em combate com um adversário mais forte. Nossa memória pode ser nossa fonte de inspiração e de encorajamento se for usada de forma positiva.A confiança e alegria com que meus filhos jogavam uma nova partida, pensando na última, e inacreditável, vitória, atestam as palavras de Jeremias.

Pense em quantas vezes Deus te deu vitória sobre uma situação aparentemente sem saída. Traga isso à memória quando enfrentar novos e grandes desafios. Não permita que pensamentos derrotistas e experiências mal sucedidas minem sua confiança em Deus. Ele pode reeditar uma vitória espetacular.

Boa luta!

sábado, 7 de maio de 2011

pastoral dia das mães 2011

QUANTO VALE UMA MÃE?
Parece que virou moda mães abandonarem seus filhos em lixeiras, terrenos baldios, matas ou até jogarem na água para morrer. A desculpa é sempre a mesma quando a pessoa consegue ser presa: “Eu não tinha condição de criar”.
Ser mãe, realmente assusta, modifica comportamentos, redefine prioridades. Quando falo em maternidade, não me refiro ao ato de dar a luz, mas de ter um contato, primeiro visual, depois físico e, por último, afetivo. Uma pessoa se torna mãe, quando toma consciência de que o é. É um caminho sem volta. Quando se percebe mãe, a vida passa a ter outra cor. Por isso algumas querem se livrar dos bebês antes que se tornem seus filhos de verdade.
Você já viu uma mamãe do reino animal defender seus filhotes? Não há limites para a sua luta. Ela vai até as últimas conseqüências. É um instinto nato das mães. Esse é o estado de mãe, não é uma experiência é um estado se ser.
Quando vejo mães dedicadas, eu entendo porque algumas malucas que se aventuraram no sexo, engravidaram e, ao dar a luz, tem coragem de dar fim em um ser frágil, antes de olhar seu rosto ou tomá-lo nos braços. Quem vivem essa experiências de se perceber mãe, não tem coragem de se desfazer da sua cria, mesmo contra todas as adversidades. É melhor não começar a ser mãe, pois é um caminho sem volta.
Aquelas que decidem serem mães sabem que as noites não são mais suas; que o melhor já é não é para si; que numa loja, a primeira imagem que vem à mente dentro de uma roupa à venda é a do filho.
Quem decidiu ser mãe, optou por suportar ingratidão, optou por ter questionada sua sabedoria, optou por estar disposta a dividir o problema dos filhos, mas somá-los aos seus. Optou por fingir que não se fere, para não ferir os sentimentos dos filhos.
O valor da mãe não está no que ela faz, pois ninguém percebe que ela faz. O valor da mãe está na falta que fará seus cuidados quando ela não estiver mais por perto. Infelizmente, os casos em que as mães são reverenciadas pelos seus filhos, em vida, são exceção.
O valor da mãe não está no que ela faz, mas no que ela permite que se faça com ela por amor aos filhos.
O valor da mãe não esta no que ela faz, mas no que ela deixa de fazer para que seus filhos caminhem mais rápidos, tenham sua atenção, cresçam sendo amados, mesmo que não percebam.
O valor da mãe não está no que ela faz, mas no que Deus faz através dela, e isso, só Deus sabe.
Não dá para medir o valor de uma mãe, não porque falta critérios, mas porque é imensurável e só a eternidade revelará o valor de cada mãe.
Receba, mãe, nossa reverência. Ainda que nunca saberemos o seu real valor, muito obrigado pelo que não sabemos.
Um filho.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

QUAL O VALOR DE UM LÁPIS?

Um tributo a Antônio Manoel dos Santos

Lápis foi um dos produtos, juntamente com pente masculino, caixa de fósforos, dedal de costura, prendedor de roupas e outros, que ninguém, de uma série de entrevistados por um programa de televisão, tinha noção do preço. As repostas variaram em mais de 3.000% para o mesmo produto. Eu também não sei quanto custa um lápis, mas sei qual o seu valor quando bem utilizado.

Quando eu digo bem utilizado, não me restrinjo ao uso da grafite que nele há e que permite aos poetas produzirem textos que encantam, ou aos engenheiros fazerem projetos que revolucionam ou mesmos aos artistas a fazerem dos traços sua forma de emocionar.

Não, amigos, não é disso que falo. Me refiro magia que havia no lápis que o irmão Antônio trazia no bolso interno do seu paletó sempre alinhado e a forma como ele o retirava para entregar ao grande vencedor do dia. Não era apenas um lápis, era um troféu. A emoção da entrega e a ênfase com que ele anunciava o ganhador tornavam o momento ímpar. Era, para um menino de dez ou doze anos, a mesma emoção que sente um jogador de futebol ao ouvir seu nome anunciado para ganhar a bola de ouro.

Para entender o valor desse lápis com poderes mágicos é preciso voltar quarenta anos no tempo. Uma classe de intermediários, que depois passou a classe de adolescentes e hoje são os “teens”. A reunião se repetia no mesmo modelo domingo após domingo. Um adolescente dirigia os trabalhos, alguém apresentava uma música, os grupos falavam seus pontos e ao final, as perguntas da bíblia feitas pelo irmão Antônio, nosso líder, que falava como se fora um grande general e nos envolvia neste clima fazendo-nos sentir, também, soldados valorosos.

Era um homem calmo, de gestos leves, sorriso discreto, voz mansa e que nunca perdeu a linha com nenhum daqueles que liderava. Era admirável sua habilidade de tirar do bolso um lápis para dar ao vencedor do dia como quem entrega um grande troféu de ouro maciço. Todos queriam ganhar o lápis. Alguns, menos humildes, entravam no templo para o culto exibindo seu troféu do sábio do dia. Eu era um deles. Eu me sentia o maioral quando ganhava. Haviam muitos que eram melhores do que eu.

Hoje ainda não sei quanto custa um lápis, mas eu sei o valor daquele lápis em particular. Aquele lápis fez de todos, vencedores, porque aprendemos a amar o estudo da Palavra de Deus. Aquele lápis, talvez, tenha salvado carreiras profissionais, porque ensinou que é preciso esforço para ser recompensado. Aquele lápis deve ter salvado relacionamentos porque muitas vezes ensinou renúncia. Quando havia empate alguém tinha que ceder.

Aquela geração foi privilegiada. Aquele lápis imprimiu marcas tão profundas no caráter daqueles pré-adolescentes que, hoje, quando nos encontramos pastores, advogados, líderes de igrejas, de grandes corporações, empresários bem sucedidos, agricultores, etc, ainda comentamos do lápis do irmão Antônio.

Há pouco tempo o Senhor o recolheu. Morreu como viveu: sorrindo, falando das coisas de Deus, influenciando positivamente alguém. Sua morte interrompeu a organização da terceira igreja que ele começara do nada. Para ser justo, na verdade não era nada: Uma bíblia na mão, um caderno com hinos do Oséias de Paula que ele insistia em fazer solos, sua companheira fiel ao lado e, certamente, um lápis no bolso. Um infarto fulminante interrompeu uma alegre conversa com um irmão em Cristo e, pela primeira vez, deixou alguém falando sozinho.

Faltarão lápis para escrever o quanto esse homem contribuiu na formação de toda uma geração de meninos e meninas que, há quarenta anos, apenas queriam ganhar o lápis do irmão Antônio sem saber o que isso representaria para suas vidas.

domingo, 2 de janeiro de 2011

MISERICÓRDIA OU COMPAIXÃO?

MISERICÓRDIA OU COMPAIXÃO?
“Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai” (Lc 6.36)

Eu vejo Jesus mais preocupado em exortar seus discípulos à misericórdia do que à compaixão. Certamente não é porque uma virtude é mais importante do que a outra, e sim porque o ter compaixão se encaixa mais facilmente ao perfil do ser humano do que ter misericórdia.
Qual a diferença entre compaixão e misericórdia? Imaginamos misericordioso, aquele sujeito que não pode ver um mendigo na rua que já oferece sua roupa, sua comida, leva ao hospital, etc. É o bom samaritano do século 21. Não é bem assim. Isto não é misericórdia é compaixão.
Por definição, compaixão é a forma como você lida com a necessidade ou a dor do indivíduo. Misericórdia, a forma com que você lida com o erro ou a culpa do indivíduo.
Há muito mais pessoas (embora não em número suficiente) dispostas a exercer compaixão do que misericórdia. Por várias razões.
A compaixão tem a ver com o bem estar pessoal. Fazer o bem torna um ser humano grande e melhor que os outros. Se posso ajudar é porque estou, pelo menos, um pouco melhor do que aquele que estou ajudando. Esse pensamento está em plena harmonia com o pensamento humano, incluindo os não cristãos. Aparenta grandeza de caráter.
Misericórdia é diferente. Exige mais de nós, causa dor, gera perdas, e para os que não conhecem misericórdia, aparenta fraqueza e muitos a tem por conivência com o erro.
As pessoas que só têm compaixão socorrem os necessitados, mas se esses se mostrarem ingratos ou fizerem algum mal a eles, descarrega toda a sua ira e arrependimento por ter ajudado e promete nunca mais ajudar aquele ingrato.
Misericórdia é perdoar quantas vezes forem necessárias com o mesmo sorriso e a mesma confiança.
Misericórdia não lança em rosto o pecado passado. Misericórdia olha para a necessidade daquele que não merece nenhuma ajuda e só vê a necessidade e não o merecimento.
Misericórdia é olhar para um bêbado agressivo, um drogado perigoso, um aproveitador e pensar... Ele precisa de Jesus mais do que qualquer outro.
Misericórdia é investir na vida de uma pessoa desprezível e desprezada pela sociedade e sofrer todos os danos até que ela venha ter sua vida transformada por Jesus.
Misericórdia é receber publicanos e pecadores por achar que eles precisam mais de médicos espirituais do que os “santinhos”.
Misericórdia, em suma, é sentir o que Deus sentiu por nós e, por causa disso nos amou e nos salvou. Às vezes esquecemos nossa história e vivemos um personagem – filho do altíssimo – que não puxou em nada ao Pai.
Jesus em Luca 6:32-36 nos mostra o que é misericórdia:
32. “Se amais os que vos amam, qual é a vossa recompensa? Porque até os pecadores amam aos que os amam. 33. Se fizerdes o bem aos que vos fazem o bem, qual é a vossa recompensa? Até os pecadores fazem isso. 34. E, se emprestais àqueles de quem esperais receber, qual é a vossa recompensa? Também os pecadores emprestam aos pecadores, para receberem outro tanto. 35. Amai, porém, os vossos inimigos, fazei o bem e emprestai, sem esperar nenhuma paga; será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo. Pois ele é benigno até para com os ingratos e maus. 36. Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai.”Ainda bem que Jesus não é como nós. Ele é misericordioso. Se não fosse a misericórdia de Cristo não haveria igreja, porque a igreja é formada pelos mais miseráveis pecadores que foram, não só aceitos, mas buscados por Ele.
As pessoas que não querem a presença de miseráveis pecadores na igreja, são as mesmas que cantam: “Buscou-me com ternura, Jesus o Salvador. Achou-me na miséria salvou-me com amor”
Não se iluda! Compaixão não é misericórdia.
“Bem aventurado os misericordiosos porque eles alcançarão misericórdia”. (palavras de Jesus)
Fique na Paz

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O SILÊNCIO (não só) DE ADÃO - Pastoral 19/9

O SILÊNCIO (não só) DE ADÃO
Pr. Sidnei
No livro “O Silêncio de Adão”, de Larry Crabb e outros, os autores confrontam o gênero masculino na sua tendência de ficar em silêncio nas situações mais críticas e analisam sua omissão nos momentos em que mais se exige uma intervenção decisiva.

A análise parte de uma suposição, a meu ver com muita chance de ser fato, de que Adão por comer o fruto proibido, sem que Eva o chamasse para isso, estivesse perto dela. Ora, se estava por perto, certamente acompanhou o diálogo de sua esposa com a serpente. Se acompanhou o diálogo, percebeu que se tratava de uma cilada que ia num crescendo de argumentos perigosamente falseados que conduziu à queda do casal e conseqüente ruína da humanidade (as deduções e o exagero são por minha conta, o autor não tem culpa).

Mas, fato é que Adão não fez nada para impedir esse pecado, e conseqüente desgraça, por omitir-se, por calar-se quando deveria falar e por esperar quando deveria agir.
Embora nós homens honestos (e há) admitamos que essa seja uma característica masculina - o silêncio – numa esfera mais geral todos nós, seres humanos, num ou noutro momento, nos calamos mesmo quando vemos que, vagarosamente, determinado comportamento levará, lá na frente, à ruína.

Fazemos isso com um irmão da igreja, porque não queremos estragar o relacionamento por parecer intrometido. Fazemos isso com a esposa ou esposo para não criar um atrito supostamente desnecessário. Fazemos isso com nossos filhos para que não nos ache chatos e nos dê a impressão que nos ama mais. Na maioria das vezes, no entanto, é por pura omissão e desejo de aprovação.

Todos somos assim e eu sou mais assim que todos. Mas isto não tem dado certo. Você já pensou que muitas quedas poderiam ter sido evitadas se não nos omitíssemos enquanto havia tempo de intervirmos vigorosamente com a autoridade da Palavra de Deus. Adão nem precisaria se indispor. Poderia até, se sua covardia exigisse, jogar a conta para Deus. Afinal, era Deus quem tinha dito que não deveriam comer daquele fruto em hipótese nenhuma.

Assemelhamos-nos a Adão até no fato de que comer o fruto não era uma necessidade para Eva, mas sim um capricho de rebeldia. Eles tinham todos os outros frutos à disposição, não precisariam daquele. Quantas vezes nos calamos num processo longo, num diálogo perigoso dos nossos queridos com as artimanhas de Satanás. Nos omitimos, olhamos para outro lado, nos concentramos em outra preocupação legítima e deixamos o tempo correr para ver no que vai dar.

O mais triste é que, à semelhança de Adão, muitas vezes, não só permitimos que, por omissão, o perigo aumente à medida que o tempo passa como também, por fraqueza, nos envolvemos ou somos coniventes com o erro.

Observe seus irmãos, suas esposas, seus esposos, seus filhos e filhas. Pode ser que estejam num diálogo perigoso com satanás, mas ainda em tempo de interromper.

Omissão custa caro. Não vale a pena correr o risco.

Sem contrariar o grande Larry Crabb, o silêncio não tem sido só de Adão.

Fiquem na Paz

quarta-feira, 23 de junho de 2010

COISAS DO COTIDIANO

Rochas e Pedregulhos

Uma das muitas coisas que me chamaram a atenção no Monte Sinai foi a quantidade e o tamanho das rochas que formam aquela cadeia de montanhas. Eu tentei subir no local de onde, segundo o guia, Moisés poderia ter falado à multidão já no pé da montanha. No pequeno filme que fiz via-se um planalto onde o povo poderia ter ficado e as rochas de onde Moisés poderia ter falado. Percebi que as rochas são facilmente vistas e é preciso fazer um plano para subir nelas. Há que se escolher o melhor lado, o menos liso, o que tenha um degrau natural e, com algum cuidado pode-se, como eu, subir numa rocha para ter uma visão melhor sem muito perigo de cair.

Já o chão é mais difícil de andar devido aos pedregulhos. Eles são quase imperceptíveis porque ficam fora do foco dos olhos. Quando as pessoas andavam, olhavam para frente, para o lugar aonde queriam chegar. Percebi muita gente tropeçando, escorregando e alguns até caindo. Uns americanos mais avisados escalavam o Sinai com aquelas bengalas de esqui para não perder o equilíbrio.

Que grande lição tiramos. Pessoas não tropeçam em rochas, mas com freqüência escorregam ou tropeçam em pedregulhos. Rochas são vistas à distancia, pedregulhos mal são vistos. As pessoas respeitam a imponência das rochas, mas negligenciam a presença dos pedregulhos. As pessoas desviam das rochas, mas tentam andar sobre os pedregulhos. As rochas se destacam no relevo, os pedregulhos se confundem com chão. Por essas e outras, na prática, os pedregulhos trazem mais perigo do que as rochas. Pessoas podem cair de rochas, não por causa das rochas. Já os pedregulhos, quase invisíveis, são responsáveis por muitas quedas e tropeços.

Na vida espiritual isso também acontece. Preocupamos-nos com os “pecados rochas”. São facilmente visíveis, grandes, chamativos e, dificilmente alguém comete um pecado desse porte por não vê-lo. Nessa categoria está o adultério, roubo, assassinato e outras ações que saltam aos olhos como, indubitavelmente, pecados. Pessoas os vêem de longe e sempre em tempo de fugirem, embora isso nem sempre ocorra.

Diferentemente, aos “pecados pedregulhos” ninguém dá atenção. São imperceptíveis, da cor do chão. São atitudes aparentemente não perigosas, mas que colocam em risco nossa caminhada. Muitos caíram por não perceberem que estavam andando sobre pedregulhos. Nesta categoria estão as atitudes que se confundem com o estilo normal de uma vida agitada. Incluem-se as pequenas mentiras, admiração aos costumes mundanos, falta de leitura da bíblia, falta de um tempo específico de oração, falta de empenho para estar na igreja, críticas constantes aos irmãos, falta de humildade e outras coisas que as pessoas nem chamam de pecado, apenas um estilo de vida ou personalidade forte.

É com este, chamado estilo normal de vida, que devemos tomar mais cuidado. Ele vai minando nossa resistência espiritual. Vai mudando nossos conceitos, vai enfraquecendo a nossa fé, vai tornando vulnerável nosso juízo de valores e, quando menos esperamos, tropeçamos ou escorregamos. E por que? Porque não vigiamos nas pequenas coisas. Fixamos-nos nas rochas e esquecemos-nos dos pedregulhos.

Meu irmão e minha irmã, se você tem sido pouco vigilante nas chamadas, pequenas coisas, saiba que são elas que nos derrubam. O diabo é mestre em desviar nossa atenção do perigo que elas representam. Ele quer a nossa queda.

Observe seu caminho. Pare de andar- por um instante, olhe para o chão e à sua volta. Se houver pedregulhos, remova-os antes que eles o derrubem.

Fique na paz

quinta-feira, 17 de junho de 2010

COISAS DO COTIDIANO

Quanta honra!

Você já percebeu que algumas honrarias tão desejadas vêm acompanhadas de deveres.

Na França antiga havia os mosqueteiros. Os jovens passavam toda sua vida sonhando ser um mosqueteiro do rei. Alguns eram preparados desde a infância e passavam a vida buscando esse objetivo: ser a guarda pessoal do rei. Isso significava morrer pelo rei. Assim é o serviço secreto presidencial americano: o juramento de se colocar na frente do tiro para proteger o presidente.

A posição que nos foi conquistada é bem maior do que a guarda pessoal do rei da França ou do serviço secreto presidencial americano. Somos raça eleita, sacerdócio real, nação santa, propriedade exclusiva do Senhor. Certamente este privilégio e posição não se igualam a nada. Mas como todo elevado privilégio, vem acompanhado de expectativas que são inerentes ao cargo. Tanto o mosqueteiro quanto o agente americano sabe que espera-se dele que, se necessário, dê a sua vida para que o rei ou presidente viva. Ele aceita o privilégio se quiser.

Por que nós aceitamos somente o privilégio e não lemos a segunda parte do contrato. Há uma expectativa decorrente desta posição: a fim de proclamarmos as virtudes daquele que nos chamou das trevas para sua maravilhosa luz.

Parece que não temos nenhum constrangimento de desfrutar dos privilégios esquecendo-nos que esses foram dados com uma expectativa. Se aceitarmos um, temos que aceitar o outro.

Como você tem proclamado as virtudes de Deus ou ainda, você tem proclamado?
Não te soa como alguém que recebeu o dinheiro adiantado para fazer uma obra e não fez?

Sei lá... é bom refletirmos melhor sobre as coisas que condenamos para os homens, mas fazemos para Deus.

De qualquer forma, está aí um alerta. Não seria um dos pontos de santificação para vermos maravilhas?

Fiquem na paz

sexta-feira, 11 de junho de 2010

PASTORAL

ESTÁ FALTANDO COELHO NAS NOSSAS IGREJAS?
Pr. Sidnei
Você sabe como acabar com uma briga de cachorros?

Se você já viu uma de cachorros, sabe do que eu estou falando. É assustadora. Muito latido, grunhido, mordidas e sangue. Se jogar água, eles se afastam por alguns instantes e logo recomeçam. Se começar a dar pauladas bater aleatoriamente, corre-se o risco de acertar e machucar qualquer um dos cães, quase sempre o menos ágil ou o mais fraco, ou os todos. O que fazer, então?

O segredo é: Solte um coelho perto da briga. Você verá que todos os cães deixarão de brigar e correrão atrás do coelho. Não precisa ficar com pena do coelho, porque dificilmente conseguirão alcança-lo.

Há uma lição interessante nesta experiência. Um foco comum acaba com qualquer desavença entre os membros de um grupo. Parece que a falta de foco concentrado leva, os que já têm uma tendência a desagregação, a colocar em prática sua busca por pelos em ovo, ou chifres na cabeça de cavalo. Alguns, até, asseguram tê-los encontrado. Discutem entre si por nada, apenas porque não têm algo mais útil a fazer.

Quando todos olham para a mesma direção, têm os mesmos objetivos, buscam as mesmas metas, o trabalho ocupa o corpo e a mente, as energias são consumidas positivamente e as pessoas são agregadas. Consequencia direta? não sobra tempo para essas bobagens.
Neste aspecto, a igreja não é diferente das outras organizações. Encontramos muitos membros gastando tempo e enrgia em desavenças entre si. Alguém dirá: é por falta de objetivos comuns. Não deixa de ter razão quem assim argumenta. O fato é que os objetivos, na maioria das vezes, estão diante de nós. Se pensarmos na nossa igreja. Nossa Declaração de Visão e Missão descreve existimos para ganhar pessoas para Cristo, discípula-las, integrá-las para que cresçam espiritualmente até se que tornem crentes maduros e que ganhem outras pessoas. Se não existisse uma Declaração escrita, mesmo assim, as palavras de Jesus seriam nosso norte.

Quando se perde o foco, começa-se a olhar para todos os lados à procura de algo com que se preocupar. Isso retarda a obra, distancia do objetivo e propicia brigas. O problema é que, às vezes, trata-se de briga de cachorro grande e ninguém tem coragem de tentar separar. Para esses casos, então, o mais ou o único recurso indicado é o “fator coelho”. Se olharem para um objetivo comum, a energia não será desperdiçada com discussões internas.

Quero encorajá-lo a, se perceber que há perto de você alguém mais preocupado com picuinhas na igreja, procurando defeitos nas coisas ou nas pessoas, falando mal da vida de alguém, torcendo para que dê errado o que ele disse que daria, mesmo que isso prejudique a igreja, solte um coelho perto dele. O coelho da evangelização, ou do discipulado, ou da restauração dos fracos espiritualmente, ou da ajuda aos necessitados. Se ele for um cão de raça mesmo, largará tudo com o que estiver brigando e correrá atrás do coelho. Se, no entanto, for um cão vira-latas, aí, meu irmão só Deus!

O que movia a vida do apóstolo Paulo era seu foco permanente. Em meio à bajulações, ele não perdia o foco. Em meio a críticas, ele não perdia o foco. Quando era torturado, ele não perdia o foco. E aconselha os Filipenses a estarem unidos em torno de um mesmo foco.

Não estou querendo dizer que já consegui tudo o que quero ou que já fiquei perfeito, mas continuo a correr para conquistar o prêmio, pois para isso já fui conquistado por Cristo Jesus.
É claro, irmãos, que eu não penso que já consegui isso. Porém uma coisa eu faço: esqueço aquilo que fica para trás e avanço para o que está na minha frente.
Corro direto para a linha de chegada a fim de conseguir o prêmio da vitória. Esse prêmio é a nova vida para a qual Deus me chamou por meio de Cristo Jesus.
Todos nós que somos espiritualmente maduros devemos ter essa maneira de pensar. Porém, se alguns de vocês pensam de maneira diferente, Deus vai tornar as coisas claras para vocês.
Portanto, vamos em frente, na mesma direção que temos seguido até agora
. (Fp. 3.12 – 16)

Fique na Paz e focado!